EDITORIAL
Oferecemos gratuitamente aos portadores de deficiência, os seguintes encaminhamentos e atendimentos:
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• Transporte coletivo para o associado e acompanhante se necessário.
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• Doação: Kit básico de alimento, Roupa Calçado (usados).
• Kit básico de higiene.
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DE SEGUNDA À SEXTA DAS 13:30 AS 16:00. H. Rua: João Pereira da Silva 617 (antiga 9) Bairro: Santa Mônica - Fone: (34) 3210-0354 - nos dias e horários de atendimento.
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CANTINHO DO LEITOR
O trabalho criado e desenvolvido em bases sólidas é capaz de transpor barreiras e realizar sonhos...
Márcia Tânia Silveira.
ENVIE-NOS SEU POEMA, MATÉRIA, TEXTO OU SUGESTÃO PARA O CANTINHO DO LEITOR.
Minha vida e meu sucesso
Desacreditado pelos médicos, Rubner dos Santos conta sobre suas conquistas na vida pessoal e profissional
Rubner dos Santos
Muito prazer, meu nome é Rubner dos Santos, tenho 30 anos e esta é minha historia:
Sou portador de deficiência física e também hidrocefalia que me deixou com 80% do lado direito do meu cérebro queimado. Então, o lado esquerdo de meu corpo ficou com seqüelas visíveis. Os médicos não me davam a menor chance de sobreviver, pois a minha doença era gravíssima.Mas, aos poucos, fui superando as minhas dificuldades e então consegui caminhar rumo às minhas vitórias.
Nos meus anos escolares fui sempre motivo de chacota de meus colegas de classe, mas estava sempre entre os primeiros da turma. Minha vida começou a mudar de verdade após a minha segunda cirurgia, em agosto de 1994, para cuidar do aparelho levo no corpo desde a idade de um ano. No mesmo ano comecei a desenvolver um projeto com o nome de "Projeto Arte e Vida" que é composto de artes e dinâmicas e que desenvolvo há 12 anos.
Mesmo recém operado, comecei a participar de cursos profissionalizantes que me ajudaram a vencer os obstáculos de minhas seqüelas e começar a me desenvolver profissionalmente. Isso me ajudou a me formar na primeira turma de profissionais portadores de deficiência do Brasil pelo SENAI, em convênio com a Estação Especial da Lapa. Também me tornei desenhista chegando até mesmo a fazer um desenho animado.
Pouco depois, em setembro de 1997, consegui o meu primeiro emprego na Avape, prestando serviço Administrativos na Empresa de Correios e Telégrafos até 2001. Nessa época eu comecei a lecionar como Professor Voluntário de Língua Inglesa em cursinho pré vestibular comunitário chamado "Projeto Raiz", onde fui aluno e depois me tornei professor com desenvolvimento de dinâmicas com desenhos para fazer com que meus alunos tivessem uma aula de inglês diferente.
Em 2002 comecei a trabalhar no Hotel Íbis, uma das Marcas da Accor Hotels, como telefonista bilíngüe, e, em 2003, fiz minha primeira exposição de meus desenhos em um evento no hotel, com dinâmicas de grupo chamadas "Se vira nos 15". Em 2004 entrei no Unibanco AIG Seguros, de onde esta historia foi encaminhada por e-mail até para o presidente e o dono da empresa, para que eles tivessem conhecimento da minha história de vida. A mensagem atingiu centenas de pessoas pela empresa e recebi muitas demonstrações de carinho e afeto por parte de meus colegas.
Em 2005 consegui digitalizar meu desenho animado para DVD e durante a "Semana com todas as Letras" na Unipaulistana, onde atualmente estudo no curso de Letras, a apresentação de meu desenho animado "Vida e a andorinha perdida". Recebi muitos aplausos e fui um dos destaques do evento com direito ate a ser citado no Jornal da Faculdade.
Meus hobbies prediletos, além do desenho, são fotografia e o teclado eletrônico que toco com apenas uma mão, mas ainda não pude me aperfeiçoar, pois não encontrei ainda uma escola para poder me aprender e um teclado eletrônico compatível para o meu desenvolvimento, que custa muito caro, e não tenho condições de comprar, mas tenho esperança de um dia conseguir.
Atualmente trabalho na Tozzini Freire Teixeira e Silva Advogados, em São Paulo, na área de Recursos Humanos, onde estou crescendo profissionalmente e pretendo continuar minha ascensão na carreira profissional, com apoio de minha família, amigos, meus colegas de trabalho e, especialmente, de minha esposa Marisa, com quem me casei recentemente e que eu amo muito, que contribui muito para o meu sucesso. Fonte: Rede SACI
ESPAÇOS
Ao estalar os dedos a sobre as ondas do ar, a música vibra e grita em ecos penetrantes, transformando o palco num cenário iluminado com a magia e o encantamento da dança.
No movimento avançado dos passos saltitantes, a cabeça gira erguida e resoluta, o corpo toma forma e projeta-se com energia e graça.
Então recomeça a passos lentos, a vagar pelos espaços infinitos!
O ritimo da música novamente acelera os passos, tornando a dança mais veloz e a cada movimento, ganha mais espaço. Até mesmo o universo parece dançar.
Quando a dança aflora, modela à matéria prima, dando forma à arte dos corpos que os olhos vivenciam. Instantes em que a alma se aquece na ânsia de retornar a canção. Canção que traz força ao embalo que contagia o coração.
Os membros dançam, ao toque suave das mãos que acariciam o tronco que desliza no solo.
O olhar se ergue cintilante, a cabeça gira, o corpo aquece,
os pés se firmam. Tudo recomeça, transbordando alegria, vibração e desejo, rasgando os véus que ocultam o Universo. Autora: Márcia Tânia
Maio é o mês da ADEF
Amamos esta CASA maravilhosa que nos trouxe aqui.
Então queira ofertar a ela o que tens de mais precioso que é o amor! Parabéns pelos cinco anos de fundação!!!
Podemos bem mais que nós próprios imaginamos...
ADEF
SEJAM BEM VINDOS A NOSSA CASA!
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Conta número 366–0
Operação 022
terça-feira, 20 de maio de 2008
Direitos do empregado portador de deficiência
Tem direito a emprego protegido quando se encontra afectado por alguma incapacidade física ou psíquica;
Apoio médico, psicológico e funcional;
Condições de trabalho e salário adequadas;
Benefício de acções de formação e aperfeiçoamento profissional proporcionadas pela entidade empregadora;
Medidas especiais de protecção a estes trabalhadores, desde que estejam contempladas na portaria de regulamentação do trabalho ou convenção colectiva;
Não estão obrigados à prestação de trabalho suplementar.
Para mais informação, consulte:
- Artigo 71º da Constituição da República Portuguesa;
- Decreto-Lei 40/83, de 25 de Janeiro, sobre "Emprego Protegido - Contrato de Trabalho de Pessoas Deficientes";
- Dec. Regul. 37/85, de 24 de Junho, sobre "Regulamento do Regime do Emprego Protegido";
- Lei nº 31/98, de 13 de Julho (incentivos ao emprego domiciliário de trabalhadores portadores de deficiência);
- Lei nº30/98, de 13 de Julho (Observatório para a Integração das Pessoas Portadoras de Deficiência);
- Dec. Regul. Nº56/97, de 31 de Dezembro (aprova a estrutura do Secretariado nacional para a Reabilitação e Integração de pessoas com Deficiência);
- Decreto-Lei nº255/97, de 27 de Agosto (aprova a composição e competências do Conselho Nacional para a Reabilitação e Integração das Pessoas com deficiência);
- Lei nº9/89, de 2 de Maio (Lei de Base de
Fonte: ICEP Brasil
Apoio médico, psicológico e funcional;
Condições de trabalho e salário adequadas;
Benefício de acções de formação e aperfeiçoamento profissional proporcionadas pela entidade empregadora;
Medidas especiais de protecção a estes trabalhadores, desde que estejam contempladas na portaria de regulamentação do trabalho ou convenção colectiva;
Não estão obrigados à prestação de trabalho suplementar.
Para mais informação, consulte:
- Artigo 71º da Constituição da República Portuguesa;
- Decreto-Lei 40/83, de 25 de Janeiro, sobre "Emprego Protegido - Contrato de Trabalho de Pessoas Deficientes";
- Dec. Regul. 37/85, de 24 de Junho, sobre "Regulamento do Regime do Emprego Protegido";
- Lei nº 31/98, de 13 de Julho (incentivos ao emprego domiciliário de trabalhadores portadores de deficiência);
- Lei nº30/98, de 13 de Julho (Observatório para a Integração das Pessoas Portadoras de Deficiência);
- Dec. Regul. Nº56/97, de 31 de Dezembro (aprova a estrutura do Secretariado nacional para a Reabilitação e Integração de pessoas com Deficiência);
- Decreto-Lei nº255/97, de 27 de Agosto (aprova a composição e competências do Conselho Nacional para a Reabilitação e Integração das Pessoas com deficiência);
- Lei nº9/89, de 2 de Maio (Lei de Base de
Fonte: ICEP Brasil
domingo, 18 de maio de 2008
Brasil não ratifica Convenção da ONU
12/05/08
Rodrigo Zavala
O governo brasileiro não ratificou a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, da Organização das Nações Unidas (ONU). O documento, que entrou em vigor no último dia 3, em todo o mundo, é considerado por representantes do movimento como um marco na trajetória dos direitos humanos.
Para o assessor de comunicação do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD), Andrei Bastos, porta-voz da entidade, a explicação para a demora não é outra senão “vontade política”. “No dia 23 de novembro do ano passado, em uma reunião especial no Congresso Nacional, o presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), prometeu que essa ratificação sairia em menos de 20 dias”, lembra.
A importância do documento se dá em três aspectos principais, segundo Bastos. Em primeiro lugar, ele substitui a compreensão de que deficiência é uma questão médica pela social . “Isto é, deixa de ser aquela coisa que sempre todo mundo pensou: que possuir uma deficiência é sinônimo de doente”.
Outro ponto fundamental é retirar o caráter assistencialista das ações afirmativas para o segmento. “Nós temos para o mercado de trabalho profissionais com deficiência tão competentes como os sem. Nesse sentido, a Convenção contribui para que esse preconceito, para que essa discriminação deixe de existir, e as pessoas com deficiência sejam incorporadas integralmente na sociedade, no mercado de trabalho, e por aí vai”, lembra Bastos.
Por fim, a terceira questão é o fato do condição se tornar um atributo, como outro qualquer. “As pessoas com deficiência devem ser vistas como parte da diversidade humana; o documento mostra isso”.
Histórico - Discutido durante quatro anos, a Convenção foi aprovada por unanimidade pelos 192 países membros da ONU em 13 de dezembro de 2006. O Brasil assinou a convenção há um ano, mas sua adoção ainda depende de aprovação pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal e de sanção presidencial.
Depois disso, o país será obrigado a eliminar leis, costumes e práticas que representem discriminação contra as pessoas com deficiência. Uma comissão independente, formada por especialistas, deve analisar os avanços obtidos pelos países que ratificaram a convenção. O projeto corre em regime de urgência na Câmara e poderá ser aprovado ainda esta semana.
Campanha - A não-ratificação levou organizações de defesa dos direitos das pessoas com deficiência a levaram a cabo uma série de protestos. O principal foi realizado no próprio dia 3, em Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro. Durante todo o dia, os organizadores recolhem assinaturas para encaminhar, nas próximas semanas, uma nota de pesar aos parlamentares brasileiros. Ações semelhantes ocorreram em outras capitais do país, como São Paulo e Belo Horizonte.
Na internet, um movimento formado por organizações não-governamentais, autoridades públicas e acadêmicos está fazendo barulho com o Assino Inclusão. Trata-se de um abaixo-assinado online que pode ser acessado pelo site homônimo, e que disponibiliza uma série de informações sobre o tema.
A página ainda conta com uma seleta lista de depoimentos, que explicam a importância de pressionar o governo para ratificar a Convenção. Entre eles, o do próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, proferido no ano passado. "Ao transformar em obrigação constitucional um elenco de direitos que beneficiará mais de 24 milhões e meio de pessoas com deficiência, estamos qualificando a natureza do desenvolvimento que queremos para o Brasil no século XXI", acredita.
Fonte: Rede Gife
Rodrigo Zavala
O governo brasileiro não ratificou a Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, da Organização das Nações Unidas (ONU). O documento, que entrou em vigor no último dia 3, em todo o mundo, é considerado por representantes do movimento como um marco na trajetória dos direitos humanos.
Para o assessor de comunicação do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD), Andrei Bastos, porta-voz da entidade, a explicação para a demora não é outra senão “vontade política”. “No dia 23 de novembro do ano passado, em uma reunião especial no Congresso Nacional, o presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), prometeu que essa ratificação sairia em menos de 20 dias”, lembra.
A importância do documento se dá em três aspectos principais, segundo Bastos. Em primeiro lugar, ele substitui a compreensão de que deficiência é uma questão médica pela social . “Isto é, deixa de ser aquela coisa que sempre todo mundo pensou: que possuir uma deficiência é sinônimo de doente”.
Outro ponto fundamental é retirar o caráter assistencialista das ações afirmativas para o segmento. “Nós temos para o mercado de trabalho profissionais com deficiência tão competentes como os sem. Nesse sentido, a Convenção contribui para que esse preconceito, para que essa discriminação deixe de existir, e as pessoas com deficiência sejam incorporadas integralmente na sociedade, no mercado de trabalho, e por aí vai”, lembra Bastos.
Por fim, a terceira questão é o fato do condição se tornar um atributo, como outro qualquer. “As pessoas com deficiência devem ser vistas como parte da diversidade humana; o documento mostra isso”.
Histórico - Discutido durante quatro anos, a Convenção foi aprovada por unanimidade pelos 192 países membros da ONU em 13 de dezembro de 2006. O Brasil assinou a convenção há um ano, mas sua adoção ainda depende de aprovação pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal e de sanção presidencial.
Depois disso, o país será obrigado a eliminar leis, costumes e práticas que representem discriminação contra as pessoas com deficiência. Uma comissão independente, formada por especialistas, deve analisar os avanços obtidos pelos países que ratificaram a convenção. O projeto corre em regime de urgência na Câmara e poderá ser aprovado ainda esta semana.
Campanha - A não-ratificação levou organizações de defesa dos direitos das pessoas com deficiência a levaram a cabo uma série de protestos. O principal foi realizado no próprio dia 3, em Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro. Durante todo o dia, os organizadores recolhem assinaturas para encaminhar, nas próximas semanas, uma nota de pesar aos parlamentares brasileiros. Ações semelhantes ocorreram em outras capitais do país, como São Paulo e Belo Horizonte.
Na internet, um movimento formado por organizações não-governamentais, autoridades públicas e acadêmicos está fazendo barulho com o Assino Inclusão. Trata-se de um abaixo-assinado online que pode ser acessado pelo site homônimo, e que disponibiliza uma série de informações sobre o tema.
A página ainda conta com uma seleta lista de depoimentos, que explicam a importância de pressionar o governo para ratificar a Convenção. Entre eles, o do próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, proferido no ano passado. "Ao transformar em obrigação constitucional um elenco de direitos que beneficiará mais de 24 milhões e meio de pessoas com deficiência, estamos qualificando a natureza do desenvolvimento que queremos para o Brasil no século XXI", acredita.
Fonte: Rede Gife
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Informativo Adefolha numero - 12 - Abril de 2008


Alfabeto Braille
Punção para escrever

EDITORIAL
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CANTINHO DO LEITOR
O trabalho criado e desenvolvido em bases sólidas é capaz de transpor barreiras e realizar sonhos...
Márcia Tânia Silveira.
Surgimento do braile
Nasceu na pequena cidade francesa, Coupvray, a 45 quilômetros de Paris, em 4 de janeiro de 1809, o caçula da família Braille, Louis. Logo após seus primeiros passos, Louis passou a brincar na oficina de seu pai, um respeitado seleiro da região, com pequenos retalhos de couro e ferramentas. Quando tentou cortar um couro - como costumava fazer seu pai - um instrumento atingiu seu olho, causando uma grave hemorragia. Alguns meses mais tarde, a infecção atingiu o outro olho e deixou Loius, com apenas 5 anos, totalmente cego.
Sua vivacidade e inteligência, porém, o fizeram ser aceito no Instituto Real para Jovens Cegos de Paris. Na época, o método de ensino consistia em fazer os alunos repetirem as explicações e textos ouvidos. Apesar de conceituada, as instalações da escola eram úmidas e frias; a disciplina, extremamente rígida, com punições físicas e isolamento a pão e água. Dessa forma, Louis se dedicou profundamente aos estudos, até se tornar um dos alunos de maior destaque.
Até que o capitão do exército francês, Charles Barbier de la Serre, ofereceu o sistema criado por ele para ser aplicado no aprendizados dos alunos cegos: para que seus soldados pudessem ler no escuro, havia inventado códigos de sinais em relevo que, combinados, permitiam a transmissão das ordens militares, as quais podiam ser decifradas pelo tato. Louis Braille rapidamente aprendeu a usar o método, apesar da dificuldade de implementá-lo para pessoas cegas. Ao adquirir cada vez mais experiência, Braille descobriu problemas naquele tipo de leitura e começou a pensar em modificações. Mas como Barbier recusou-se a adaptar seu sistema, o garoto decidiu desenvolver um novo. Aos 16 anos, então, apresentou o método em relevo, usando seis pontos para escrever cada letra, tal como é usado ainda hoje. Por meio dele, obteve 63 combinações, que representavam todas as letras do alfabeto, acentuação, pontuação e sinais matemáticos, de física, de química e musicográficos.
Apesar dos esforços de Louis Braille para aperfeiçoar e desenvolver seu sistema, o método oficial continuou sendo os códigos do capitão Barbier por muito tempo. Muitos conservadores relutaram em mudar velhos hábitos. Embora apresentasse incontáveis vantagens, o sistema braile levou muitos anos para ser totalmente aceito. E seu criador não teve o gosto de assistir, em 1854, à aprovação oficial do uso de seu sistema no ensino para cegos na França. Faleceu aos 43 anos, vítima de tuberculose.
________________________
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Operação 022
Dorina Nowill não se intimidou com sua cegueira e criou uma fundação que é referência no Brasil
Ciça Vallerio
Neste mês, começa a contagem regressiva para a celebração mundial do bicentenário de nascimento de Louis Braille, o criador do sistema de escrita e leitura em relevo, que possibilitou às pessoas cegas o acesso ao conhecimento. No Brasil, uma das representantes de destaque da comissão nacional é Dorina Nowill - eleita no ano passado, pela revista Forbes, uma das cinco mulheres mais influentes do País, e que terá este ano uma série de atividades em sua homenagem. E olha que ela vai fazer 89 anos em maio!
Não é à toa que Dorina é uma referência quando se fala em deficiência visual. Tudo começou quando, aos 17 anos, ficou cega por causa de uma patologia ocular. O problema não limitou sua vida, mas a impulsionou ainda mais. Mesmo não enxergando mais, continuou com seus estudos. Foi a primeira aluna cega a se matricular em uma escola comum, em São Paulo, e estudar com colegas de visão normal. Era a Escola Caetano de Campos, de onde saiu formada em Magistério. Quer dizer, nem saiu de lá. Na seqüência, engatou, junto com outros formandos, o projeto de implantação do primeiro curso de especialização de professores para ensino de cegos. E conseguiu.
Na época, meados dos anos 40, havia pouquíssimos livros em braile no País, menos ainda em português. Descontente com essa realidade, criou, em 1946, a Fundação para o Livro do Cego no Brasil, reunindo alguns voluntários. Anos depois, a organização passou a ser chamada - merecidamente - Fundação Dorina Nowill para Cegos, como é conhecida até hoje. Durante a entrevista concedida ao Feminino, em sua sala, regada a café e biscoitinhos de polvilho, Dorina lembra como eram rudimentares os métodos para marcar cada letra pontilhada. “Sem máquinas, transcrevíamos livros para o braile à mão. Uma loucura! Por isso que batalhei tanto para instalar uma imprensa braile em São Paulo.”
Como, para ela, obstáculos parecem não existir, a Fundação conta com uma bem montada imprensa braile, cujo maquinário foi sendo atualizado ao longo de seus 56 anos de existência. Hoje é a maior do Brasil. Já foram produzidos mais de mil títulos, totalizando 100 mil volumes, entre livros didáticos, de literatura, partituras musicais, best-sellers e outros materiais de prestação de serviço, que são distribuídos gratuitamente para deficientes visuais e outras organizações.
Batalha
Até tornar-se especialista em braile e tudo o que se relaciona à deficiência visual, Dorina suou a camisa - e muito. Obstinada, e recém-formada, conseguiu uma bolsa de estudos nos Estados Unidos, no curso de especialização para deficientes visuais da Universidade de Columbia. Foi quando estagiou nas principais organizações de serviços para cegos.
“Era constantemente chamada para falar do Brasil diante dos alunos que chegavam de outros países”, lembra Dorina, que, atualmente, ocupa o cargo de presidente emérita e vitalícia da Fundação. “Para rebater alguns colegas americanos que sempre colocavam os Estados Unidos como os melhores em tudo, fiz uma lista com tudo o que nós brasileiros tínhamos de maior. Numa dessas apresentações, mostrei que Billy the Kid (considerado o fora-da-lei que mais cometera assassinatos na época) não se comparava a Lampião e Maria Bonita.”
Retornando ao Brasil, seus projetos ganharam mais força. As atividades da Fundação foram ampliadas, passo a passo. Além da imprensa braile, surgiram programas gratuitos de atendimento especializado ao deficiente visual, que oferecem ainda hoje avaliação e diagnóstico ocular, educação especial, reabilitação, orientação e até colocação profissional no mercado de trabalho. Especialistas em mobilidade ensinam cegos a se locomover pela cidade, garantindo maior independência.
O professor de música com baixa visão, Zoilo Lara de Toledo, por exemplo, transcreve partituras para sinais em braile, para que cegos possam aprender a tocar. Mas existem muitos outros serviços. Só em 2006, foram atendidas mais de 17 mil pessoas. Acompanhando as transformações dos tempos, criou-se a Biblioteca Circulante do Livro Falado e Digital. Voluntários já gravaram mais de 500 títulos, entre livros e revistas, nos formatos K7, CD, MP3 e digital. Todo material é de uso gratuito.
Há quem diga que não existe um cego alfabetizado no Brasil que não tenha, ao menos, aprendido com um livro da Fundação. Para alcançar esse patamar, na vida e na profissão, Dorina explica que sempre se inspirou em uma frase, a qual costuma repetir sempre: se você quiser realizar algo, tem de fazê-lo onde você está e com o que tem no momento. “Desde o começo, eu e aqueles que também se envolveram nesse projeto usamos tudo o que havia no momento”, conta. “Se tivesse sido obrigada a ir a Brasília para pedir um dinheirinho e comprar um terreninho e blábláblá, não teríamos conseguido nada.”
Vida Pessoal
Além de se dedicar de corpo e alma aos projetos, Dorina deu conta também da família - que não era nada pequena. Casada há 57 anos com Edward Hubert Alexander Nowill, é mãe de cinco filhos, já adultos, e avó de 12 netos. Nem o corre-corre profissional a impediu de estar presente na educação da prole e em afazeres domésticos. Só para se ter uma idéia, ela sabe tudo o que tem na sua casa, desde o número de toalhas e louças até onde está cada objeto. Para isso, conta tudinho, seus vestidos, sapatos, bolsas e jóias - estes dois últimos itens são a sua perdição, o que revela seu lado assumidamente vaidoso.
- Sempre gostei de me arrumar. Dizem que combino até as pulseiras. Aprendi na marra as combinações que posso fazer com o que tenho no guarda-roupa. Não ligo para grifes. Compro minha roupa em uma confecção cuja dona é estilista e se tornou amiga. Ela me orienta, mostra o que está na moda e o que fica bem em mim. Mas sempre dou a palavra final. Nunca compro uma peça só por escutar que ficou boa, que é bonita. Preciso de outras opções para eu mesma escolher. Sei que hoje está na moda o roxo. Uma vez mandei fazer um vestido azul turquesa e sabia que tinha um par de sapatos nesse tom para combinar, o qual tinha usado no casamento de um dos meus filhos há anos. Pedi para a minha empregada procurar e, dito e feito, lá estavam eles.
Dorina se cerca de pessoas nas quais confia, quando o assunto é beleza. Vai à cabeleireira do bairro “quase sempre”, como conta. Apesar de não saber a cor de seu cabelo, não descuida da tintura. Quando surgem novidades na butique da sua amiga, é avisada. Sua outra perdição, confessa, é a boa mesa. Gosta de comer bem. Ensina receitas à cozinheira, incluindo pratos internacionais. Assume-se como exigente, tanto na qualidade dos preparos como na higiene da cozinha.
Agora, esta senhora de energia excepcional está mesmo é empolgada com as comemorações que vão ocorrer ao longo do ano. Por isso, demonstra mais entusiasmo em contar a vida de Louis Braille do que a sua própria. Uma vida que inspira tanto quanto a dela (saiba mais no texto ao lado). Razão pela qual ambos estão intrinsecamente ligados.
Mais uma vez, Dorina vai se empenhar para que as homenagens realizadas no Brasil tenham o mesmo brilho das que vão acontecer no resto do mundo, especialmente na França, terra natal desse personagem que deu aos cegos infinitas possibilidades de aprendizado.
E se alguém acredita que é “feio” usar a palavra cego para designar alguém que não pode enxergar está enganado. “Dizem que nós não gostamos de sermos chamados de cegos, besteira”, avisa Dorina. “O que existe é a dificuldade de aceitar nossas limitações, não a palavra. Tem gente que usa ‘deficiente visual’, achando que é mais politicamente correto. Na verdade, essa expressão é usada porque a cegueira tem vários graus, do leve ao total. No meu caso, sou cega mesmo!” (risos)
Surgimento do braile
Nasceu na pequena cidade francesa, Coupvray, a 45 quilômetros de Paris, em 4 de janeiro de 1809, o caçula da família Braille, Louis. Logo após seus primeiros passos, Louis passou a brincar na oficina de seu pai, um respeitado seleiro da região, com pequenos retalhos de couro e ferramentas. Quando tentou cortar um couro - como costumava fazer seu pai - um instrumento atingiu seu olho, causando uma grave hemorragia. Alguns meses mais tarde, a infecção atingiu o outro olho e deixou Loius, com apenas 5 anos, totalmente cego.
Sua vivacidade e inteligência, porém, o fizeram ser aceito no Instituto Real para Jovens Cegos de Paris. Na época, o método de ensino consistia em fazer os alunos repetirem as explicações e textos ouvidos. Apesar de conceituada, as instalações da escola eram úmidas e frias; a disciplina, extremamente rígida, com punições físicas e isolamento a pão e água. Dessa forma, Louis se dedicou profundamente aos estudos, até se tornar um dos alunos de maior destaque.
Até que o capitão do exército francês, Charles Barbier de la Serre, ofereceu o sistema criado por ele para ser aplicado no aprendizados dos alunos cegos: para que seus soldados pudessem ler no escuro, havia inventado códigos de sinais em relevo que, combinados, permitiam a transmissão das ordens militares, as quais podiam ser decifradas pelo tato. Louis Braille rapidamente aprendeu a usar o método, apesar da dificuldade de implementá-lo para pessoas cegas. Ao adquirir cada vez mais experiência, Braille descobriu problemas naquele tipo de leitura e começou a pensar em modificações. Mas como Barbier recusou-se a adaptar seu sistema, o garoto decidiu desenvolver um novo. Aos 16 anos, então, apresentou o método em relevo, usando seis pontos para escrever cada letra, tal como é usado ainda hoje. Por meio dele, obteve 63 combinações, que representavam todas as letras do alfabeto, acentuação, pontuação e sinais matemáticos, de física, de química e musicográficos.
Apesar dos esforços de Louis Braille para aperfeiçoar e desenvolver seu sistema, o método oficial continuou sendo os códigos do capitão Barbier por muito tempo. Muitos conservadores relutaram em mudar velhos hábitos. Embora apresentasse incontáveis vantagens, o sistema braile levou muitos anos para ser totalmente aceito. E seu criador não teve o gosto de assistir, em 1854, à aprovação oficial do uso de seu sistema no ensino para cegos na França. Faleceu aos 43 anos, vítima de tuberculose.
Fonte: Rede Saci
Neste mês, começa a contagem regressiva para a celebração mundial do bicentenário de nascimento de Louis Braille, o criador do sistema de escrita e leitura em relevo, que possibilitou às pessoas cegas o acesso ao conhecimento. No Brasil, uma das representantes de destaque da comissão nacional é Dorina Nowill - eleita no ano passado, pela revista Forbes, uma das cinco mulheres mais influentes do País, e que terá este ano uma série de atividades em sua homenagem. E olha que ela vai fazer 89 anos em maio!
Não é à toa que Dorina é uma referência quando se fala em deficiência visual. Tudo começou quando, aos 17 anos, ficou cega por causa de uma patologia ocular. O problema não limitou sua vida, mas a impulsionou ainda mais. Mesmo não enxergando mais, continuou com seus estudos. Foi a primeira aluna cega a se matricular em uma escola comum, em São Paulo, e estudar com colegas de visão normal. Era a Escola Caetano de Campos, de onde saiu formada em Magistério. Quer dizer, nem saiu de lá. Na seqüência, engatou, junto com outros formandos, o projeto de implantação do primeiro curso de especialização de professores para ensino de cegos. E conseguiu.
Na época, meados dos anos 40, havia pouquíssimos livros em braile no País, menos ainda em português. Descontente com essa realidade, criou, em 1946, a Fundação para o Livro do Cego no Brasil, reunindo alguns voluntários. Anos depois, a organização passou a ser chamada - merecidamente - Fundação Dorina Nowill para Cegos, como é conhecida até hoje. Durante a entrevista concedida ao Feminino, em sua sala, regada a café e biscoitinhos de polvilho, Dorina lembra como eram rudimentares os métodos para marcar cada letra pontilhada. “Sem máquinas, transcrevíamos livros para o braile à mão. Uma loucura! Por isso que batalhei tanto para instalar uma imprensa braile em São Paulo.”
Como, para ela, obstáculos parecem não existir, a Fundação conta com uma bem montada imprensa braile, cujo maquinário foi sendo atualizado ao longo de seus 56 anos de existência. Hoje é a maior do Brasil. Já foram produzidos mais de mil títulos, totalizando 100 mil volumes, entre livros didáticos, de literatura, partituras musicais, best-sellers e outros materiais de prestação de serviço, que são distribuídos gratuitamente para deficientes visuais e outras organizações.
Batalha
Até tornar-se especialista em braile e tudo o que se relaciona à deficiência visual, Dorina suou a camisa - e muito. Obstinada, e recém-formada, conseguiu uma bolsa de estudos nos Estados Unidos, no curso de especialização para deficientes visuais da Universidade de Columbia. Foi quando estagiou nas principais organizações de serviços para cegos.
“Era constantemente chamada para falar do Brasil diante dos alunos que chegavam de outros países”, lembra Dorina, que, atualmente, ocupa o cargo de presidente emérita e vitalícia da Fundação. “Para rebater alguns colegas americanos que sempre colocavam os Estados Unidos como os melhores em tudo, fiz uma lista com tudo o que nós brasileiros tínhamos de maior. Numa dessas apresentações, mostrei que Billy the Kid (considerado o fora-da-lei que mais cometera assassinatos na época) não se comparava a Lampião e Maria Bonita.”
Retornando ao Brasil, seus projetos ganharam mais força. As atividades da Fundação foram ampliadas, passo a passo. Além da imprensa braile, surgiram programas gratuitos de atendimento especializado ao deficiente visual, que oferecem ainda hoje avaliação e diagnóstico ocular, educação especial, reabilitação, orientação e até colocação profissional no mercado de trabalho. Especialistas em mobilidade ensinam cegos a se locomover pela cidade, garantindo maior independência.
O professor de música com baixa visão, Zoilo Lara de Toledo, por exemplo, transcreve partituras para sinais em braile, para que cegos possam aprender a tocar. Mas existem muitos outros serviços. Só em 2006, foram atendidas mais de 17 mil pessoas. Acompanhando as transformações dos tempos, criou-se a Biblioteca Circulante do Livro Falado e Digital. Voluntários já gravaram mais de 500 títulos, entre livros e revistas, nos formatos K7, CD, MP3 e digital. Todo material é de uso gratuito.
Há quem diga que não existe um cego alfabetizado no Brasil que não tenha, ao menos, aprendido com um livro da Fundação. Para alcançar esse patamar, na vida e na profissão, Dorina explica que sempre se inspirou em uma frase, a qual costuma repetir sempre: se você quiser realizar algo, tem de fazê-lo onde você está e com o que tem no momento. “Desde o começo, eu e aqueles que também se envolveram nesse projeto usamos tudo o que havia no momento”, conta. “Se tivesse sido obrigada a ir a Brasília para pedir um dinheirinho e comprar um terreninho e blábláblá, não teríamos conseguido nada.”
Vida Pessoal
Além de se dedicar de corpo e alma aos projetos, Dorina deu conta também da família - que não era nada pequena. Casada há 57 anos com Edward Hubert Alexander Nowill, é mãe de cinco filhos, já adultos, e avó de 12 netos. Nem o corre-corre profissional a impediu de estar presente na educação da prole e em afazeres domésticos. Só para se ter uma idéia, ela sabe tudo o que tem na sua casa, desde o número de toalhas e louças até onde está cada objeto. Para isso, conta tudinho, seus vestidos, sapatos, bolsas e jóias - estes dois últimos itens são a sua perdição, o que revela seu lado assumidamente vaidoso.
- Sempre gostei de me arrumar. Dizem que combino até as pulseiras. Aprendi na marra as combinações que posso fazer com o que tenho no guarda-roupa. Não ligo para grifes. Compro minha roupa em uma confecção cuja dona é estilista e se tornou amiga. Ela me orienta, mostra o que está na moda e o que fica bem em mim. Mas sempre dou a palavra final. Nunca compro uma peça só por escutar que ficou boa, que é bonita. Preciso de outras opções para eu mesma escolher. Sei que hoje está na moda o roxo. Uma vez mandei fazer um vestido azul turquesa e sabia que tinha um par de sapatos nesse tom para combinar, o qual tinha usado no casamento de um dos meus filhos há anos. Pedi para a minha empregada procurar e, dito e feito, lá estavam eles.
Dorina se cerca de pessoas nas quais confia, quando o assunto é beleza. Vai à cabeleireira do bairro “quase sempre”, como conta. Apesar de não saber a cor de seu cabelo, não descuida da tintura. Quando surgem novidades na butique da sua amiga, é avisada. Sua outra perdição, confessa, é a boa mesa. Gosta de comer bem. Ensina receitas à cozinheira, incluindo pratos internacionais. Assume-se como exigente, tanto na qualidade dos preparos como na higiene da cozinha.
Agora, esta senhora de energia excepcional está mesmo é empolgada com as comemorações que vão ocorrer ao longo do ano. Por isso, demonstra mais entusiasmo em contar a vida de Louis Braille do que a sua própria. Uma vida que inspira tanto quanto a dela (saiba mais no texto ao lado). Razão pela qual ambos estão intrinsecamente ligados.
Mais uma vez, Dorina vai se empenhar para que as homenagens realizadas no Brasil tenham o mesmo brilho das que vão acontecer no resto do mundo, especialmente na França, terra natal desse personagem que deu aos cegos infinitas possibilidades de aprendizado.
E se alguém acredita que é “feio” usar a palavra cego para designar alguém que não pode enxergar está enganado. “Dizem que nós não gostamos de sermos chamados de cegos, besteira”, avisa Dorina. “O que existe é a dificuldade de aceitar nossas limitações, não a palavra. Tem gente que usa ‘deficiente visual’, achando que é mais politicamente correto. Na verdade, essa expressão é usada porque a cegueira tem vários graus, do leve ao total. No meu caso, sou cega mesmo!” (risos)
Surgimento do braile
Nasceu na pequena cidade francesa, Coupvray, a 45 quilômetros de Paris, em 4 de janeiro de 1809, o caçula da família Braille, Louis. Logo após seus primeiros passos, Louis passou a brincar na oficina de seu pai, um respeitado seleiro da região, com pequenos retalhos de couro e ferramentas. Quando tentou cortar um couro - como costumava fazer seu pai - um instrumento atingiu seu olho, causando uma grave hemorragia. Alguns meses mais tarde, a infecção atingiu o outro olho e deixou Loius, com apenas 5 anos, totalmente cego.
Sua vivacidade e inteligência, porém, o fizeram ser aceito no Instituto Real para Jovens Cegos de Paris. Na época, o método de ensino consistia em fazer os alunos repetirem as explicações e textos ouvidos. Apesar de conceituada, as instalações da escola eram úmidas e frias; a disciplina, extremamente rígida, com punições físicas e isolamento a pão e água. Dessa forma, Louis se dedicou profundamente aos estudos, até se tornar um dos alunos de maior destaque.
Até que o capitão do exército francês, Charles Barbier de la Serre, ofereceu o sistema criado por ele para ser aplicado no aprendizados dos alunos cegos: para que seus soldados pudessem ler no escuro, havia inventado códigos de sinais em relevo que, combinados, permitiam a transmissão das ordens militares, as quais podiam ser decifradas pelo tato. Louis Braille rapidamente aprendeu a usar o método, apesar da dificuldade de implementá-lo para pessoas cegas. Ao adquirir cada vez mais experiência, Braille descobriu problemas naquele tipo de leitura e começou a pensar em modificações. Mas como Barbier recusou-se a adaptar seu sistema, o garoto decidiu desenvolver um novo. Aos 16 anos, então, apresentou o método em relevo, usando seis pontos para escrever cada letra, tal como é usado ainda hoje. Por meio dele, obteve 63 combinações, que representavam todas as letras do alfabeto, acentuação, pontuação e sinais matemáticos, de física, de química e musicográficos.
Apesar dos esforços de Louis Braille para aperfeiçoar e desenvolver seu sistema, o método oficial continuou sendo os códigos do capitão Barbier por muito tempo. Muitos conservadores relutaram em mudar velhos hábitos. Embora apresentasse incontáveis vantagens, o sistema braile levou muitos anos para ser totalmente aceito. E seu criador não teve o gosto de assistir, em 1854, à aprovação oficial do uso de seu sistema no ensino para cegos na França. Faleceu aos 43 anos, vítima de tuberculose.
Fonte: Rede Saci
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Fazendo Gênero 2008 recebe trabalhos técnicos
01 de Abril de 2008
Até o dia 5 de maio, interessados/as podem inscrever resumos para o simpósio temático "O aborto legal e seguro é possível em um país religioso?", que compõe a programação do evento Fazendo Gênero 2008, que será realizado em Florianópolis (SC), de 25 a 28 de agosto. A intenção do simpósio temático é reunir análises que permitam refletir sobre a relação entre os campos da política e da religião, principalmente no que se refere à promoção de legislações favoráveis à maternidade voluntária. A idéia é agregar trabalhos que demonstrem como a religião pode dialogar de forma menos moralista e mais inclusiva com as reais necessidades vividas pelas mulheres, em suas práticas de saúde e sexualidade, especialmente com relação ao aborto.
O simpósio espera receber pesquisas que revelem: fundamentalismos religiosos e a culpabilização das mulheres quanto ao aborto; a realização do aborto (legal ou ilegal) em contextos especialmente religiosos; as posições, progressistas ou não, de diferentes igrejas e religiões não hegemônicas quanto à prática, legalização e implementação do aborto, considerando seus fiéis e lideranças; os processos de legalização e/ou descriminalização do aborto em contextos de não laicidade; negociações e conflitos com autoridades religiosas em espaços públicos e laicos (e.g., Parlamento, escolas, hospitais, delegacias etc.) sobre leis e prática do aborto; e os papéis que ONGs, mídia, academia e outros movimentos sociais, além dos feministas, direitos humanos, por exemplo, podem desempenhar na ampliação da discussão pública sobre o aborto em um Estado efetivamente laico. Mais informações podem ser encontradas em www.fazendogenero7.ufsc.br.
Fonte: Rits - rede de informações para o terceiro setor
Até o dia 5 de maio, interessados/as podem inscrever resumos para o simpósio temático "O aborto legal e seguro é possível em um país religioso?", que compõe a programação do evento Fazendo Gênero 2008, que será realizado em Florianópolis (SC), de 25 a 28 de agosto. A intenção do simpósio temático é reunir análises que permitam refletir sobre a relação entre os campos da política e da religião, principalmente no que se refere à promoção de legislações favoráveis à maternidade voluntária. A idéia é agregar trabalhos que demonstrem como a religião pode dialogar de forma menos moralista e mais inclusiva com as reais necessidades vividas pelas mulheres, em suas práticas de saúde e sexualidade, especialmente com relação ao aborto.
O simpósio espera receber pesquisas que revelem: fundamentalismos religiosos e a culpabilização das mulheres quanto ao aborto; a realização do aborto (legal ou ilegal) em contextos especialmente religiosos; as posições, progressistas ou não, de diferentes igrejas e religiões não hegemônicas quanto à prática, legalização e implementação do aborto, considerando seus fiéis e lideranças; os processos de legalização e/ou descriminalização do aborto em contextos de não laicidade; negociações e conflitos com autoridades religiosas em espaços públicos e laicos (e.g., Parlamento, escolas, hospitais, delegacias etc.) sobre leis e prática do aborto; e os papéis que ONGs, mídia, academia e outros movimentos sociais, além dos feministas, direitos humanos, por exemplo, podem desempenhar na ampliação da discussão pública sobre o aborto em um Estado efetivamente laico. Mais informações podem ser encontradas em www.fazendogenero7.ufsc.br.
Fonte: Rits - rede de informações para o terceiro setor
segunda-feira, 31 de março de 2008
Momento de Reflexão!
“Temos o direito de ser iguais quando a diferença nos inferioriza;temos o direito de ser diferentes sempre que a igualdade nos descaracteriza.”
Boaventura Souza Santos
Boaventura Souza Santos
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