O número de denúncias envolvendo crimes contra pessoas com deficiência nos nove primeiros meses deste ano cresceu 31%, em comparação com o mesmo período de 2007. Os dados são do Disque Direitos Humanos (0800 31 1119), coordenado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese). De janeiro a setembro deste ano, o serviço recebeu 63 denúncias, enquanto no ano passado foram 48.
Para o gestor da Coordenadoria Especial de Apoio e Assistência à Pessoa com Deficiência (Caade), Flávio Couto, o aumento das ligações mostra maior engajamento da sociedade em relação às pessoas com deficiência. “É preciso que a sociedade esteja atenta e denuncie cada vez mais”, diz.
Agressão e maus-tratos lideram o ranking das ligações, com 35 denúncias. Em seguida aparece o abandono material, com 12. Os números de ligações denunciando abuso sexual contra pessoas com deficiência chamam a atenção. Em 2007, não houve nenhuma ligação. Já em 2008, foram três denúncias. “É, com certeza, mais um caso de subnotificação. Sabemos que existem muito mais casos”, ressalta o coordenador do Disque Diretos Humanos, Jorge Noronha, que avalia de forma positiva o crescimento de ligações.
Noronha explica que a maioria das denúncias é encaminhada para a delegacia especializada de crimes contra o deficiente físico. “No interior, onde não tem delegacia especializada, enviamos para a assistência social da prefeitura. Se for uma denúncia mais grave, acionamos o fórum da comarca”, completa.
Credibilidade
Segundo o subsecretário de Direitos Humanos da Sedese, João Batista de Oliveira, o aumento das denúncias de crimes contra pessoas com deficiência está relacionado ao entendimento da sociedade de que o serviço deve ser utilizado para qualquer tipo de violação dos direitos humanos. “Estamos trabalhando com a idéia de universalização do serviço, que divulgamos em conferências municipais e estaduais sempre enfatizando o anonimato da pessoa que denuncia. Com isso, o Disque Direitos Humanos conquista credibilidade da sociedade, que confia no atendimento e serviço prestado”, ressalta.
O Disque Direitos Humanos é gratuito e atente a qualquer tipo de violação dos direitos humanos. O serviço, que garante o sigilo do denunciante, recebeu este ano 39.644 ligações de todas as regiões do Estado.
Fonte: social. mg.gov.br
sábado, 18 de outubro de 2008
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Bebês surdos devem aprender língua dos sinais nos primeiros meses de vida

Atividades com bebês surdos visam desenvolver habilidades visuais e ensinar linguagem dos sinais (Foto: Divulgação/ECS)
Pais têm de interagir com brincadeiras e usar linguagem para socialização.
Atividades buscam desenvolver habilidades visuais da criança.
O maior desafio para quem trabalha com crianças surdas é acreditar nos bebês como diferentes e não como deficientes. É assim que pensa a fonoaudióloga escolar Sandra Refina Leite, que trabalha na Escola para Crianças Surdas (ECS) Rio Branco, em São Paulo. Para Sandra, a melhor maneira de potencializar a produtividade e o desenvolvimento dos bebês é ensinar a Língua Brasileira de Sinais (Libras) desde os primeiros dias de vida. A fonoaudióloga participa nesta sexta-feira (22), em São Paulo, de um encontro que vai discutir a educação para surdos.
“Desde o momento em que os pais descobrem a surdez do bebê é importante procurar um especialista para que, além da própria criança poder aprender a língua dos sinais, eles também possam aprendê-la. É fundamental que a criança desenvolva habilidades visuais para se sentir incluída socialmente e quanto mais cedo ela iniciar o processo de educação, melhor”, diz. “Todos os nossos esforços são para que a criança aprenda da maneira mais natural possível”.
A especialista afirma que os pais não costumam aceitar a surdez do bebê em um primeiro momento. “Nossa sociedade não está preparada para a diferença, e isso se reflete também no comportamento dos pais dos bebês, que demoram um pouco a se acostumar. Ainda assim, o resultado vale muito a pena”, afirma Sandra. A fonoaudióloga diz que em seis meses de atividades o bebê já começa a reconhecer os sinais, mesmo que de maneira ainda não estruturada.
Em casa, é fundamental que os pais se comuniquem com o bebê por meio da linguagem de sinais. Sandra reafirma ainda a importância de brincar com a criança e contar histórias. “Aos pais cabe a tarefa de apresentar o mundo à criança, nomear pessoas e coisas, para que ela entenda a complexidade do mundo, e interagir sempre”, diz.
Surdez
O teste que identifica a surdez do bebê pode ser feito ainda na maternidade. As causas da deficiência podem ser muitas, mas as mais evidentes, segundo Sandra, são casos de meningite, rubéola e toxoplasmose da mãe durante a gravidez.
No processo educacional proposto pela ECS, o bebê participa de atividades educacionais até os 3 anos, para se familiarizar com a linguagem de sinais. A partir dos 3 anos, a criança é encaminhada para o ensino formal em uma turma formada apenas por surdos. Depois do quinto ano do ensino fundamental, a orientação é que o aluno seja encaminhado a uma escola tradicional, acompanhado de um intérprete.
“Propomos que o aluno fique em uma escola especial porque em todos os outros momentos do dia ele conviverá com pessoas ouvintes, dentro da própria família. A idéia não é isolar o aluno, mas ensiná-lo a agir como uma pessoa diferente, mas participante quando for exposto a qualquer situação com ouvintes”, afirma.
Fonte: G1.com
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
A via política
08/09/08
Luiz Carlos Merege*
Apesar da descrença geral em nossos políticos e nos programas de seus partidos não se pode negligenciar a importância que o sistema de representação possui para que as aspirações da sociedade possam se concretizar.
Já dizia o poeta que o pior analfabetismo é o analfabetismo político. Para a minha geração era fundamental a participação política não somente durante o período eleitoral, mas, e fundamentalmente, uma ação permanente de conscientização das pessoas para que elas pudessem se tornar sujeitas de seu próprio destino. A nossa utopia nos levava a uma visão de que a alienação das pessoas seria varrida de suas cabeças e que a participação política seria massiva e apoiada em ações que revolucionariam a ordem econômica, social, cultural e de convivência comunitária.
A reconquista da democracia a partir de 1984 e a constituição cidadã de 1988 redobrava a esperança de que a utopia se tornaria uma realidade. A renovação política com o surgimento de novos partidos que captam as aspirações dos movimentos operários e dos movimentos sociais, que floresceram durante o período ditatorial, resultaram em revolucionários programas de governo.
Os partidos de esquerda conseguiram desta forma mobilizar de forma eletrizante parcela significativa da população, mas quando conquistaram o poder as suas bandeiras de lutas foram parcialmente implementadas ou ignoradas totalmente. A frustração foi tão enorme quando foi a dedicação voluntária de milhares de militantes por uma causa política.
Este cenário tornou-se propício para que todos aqueles que aspiravam uma transformação da sociedade buscassem formas alternativas de atuação. Transformar uma indignação em um processo de mudança da realidade era algo impossível para qualquer ser deste país, até a descoberta do terceiro setor.
A ação pública só era identificada com as atividades do Estado daí a necessidade de estarmos vinculados a um partido político para que este servisse de intermediário entre as nossas aspirações e o poder de ação de um governo.
O terceiro setor surge como um atalho entre a nossa vontade transformadora e a ação necessária sobre a realidade. A admirável possibilidade legal de qualquer pessoa criar uma organização em defesa de uma causa e essa pessoa poder atuar diretamente sobre as injustiças sociais, econômicas, culturais, raciais ou pela preservação do meio ambiente, explica o impressionante crescimento das organizações do terceiro setor. Se eu posso atuar por que esperar que o Estado atue por mim, é o que passa a habitar o consciente coletivo.
Não resta dúvida que a revolução associativa que dominou não somente o nosso país mas o mundo todo, tornou-se um fenômeno que alterou completamente o pensar e o agir público contemporâneo. Algumas vezes de forma distorcida como é o caso de quando muitos defendem que o Estado tornou-se um ator secundário na arena social. Nada mais estúpido do que tal pensamento. A sociedade civil por mais que cresça e apareça jamais poderá substituir o Estado em seu poder transformador.
Uma ONG ou uma rede de ONGs ambientalistas pode organizar um espantoso movimento pela despoluição de nossos rios, mas jamais terão o poder de fazer com que as industrias poluidoras reduzam a zero o impacto que causam na natureza. Torna-se necessário que o Estado através de leis e decretos determine que tais empresas acabem com a poluição ou serão penalizadas se continuarem com suas atividades. As soluções estruturais só podem ser dadas pelo Estado.
As organizações do terceiro setor podem e devem colocar como uma prioridade em sua agenda uma atuação coletiva que leve a uma maior influência sobre a atuação do Estado.
Desde o início da luta há mais de uma década pelo reconhecimento da identidade do terceiro setor, não se registrava uma abertura tão grande, por parte de candidatos a cargos executivos, às causas dominantes no terceiro setor.
As eleições municipais estão próximas e tem-se um ambiente propício para que as organizações se unam em torno de temas que são caros a sua missão e que possam, portanto, serem apresentados como uma demanda política. Desta forma pode-se atuar no sentido de construir o Estado que queremos e merecemos.
*Luiz Carlos Merege é professor titular, doutor pela Maxwell School of Citizenship and Public Affairs da Universidade de Syracuse, coordenador do Centro de Estudos do Terceiro Setor - CETS da FGV-EAESP, do curso de Administração para Organizações do Terceiro Setor e do Projeto Censo do Terceiro Setor do Pará .
(Este artigo foi originalmente publicado na edição de setembro da revista Integração, publicação do CETS). Leia a publicação on line.
Luiz Carlos Merege*
Apesar da descrença geral em nossos políticos e nos programas de seus partidos não se pode negligenciar a importância que o sistema de representação possui para que as aspirações da sociedade possam se concretizar.
Já dizia o poeta que o pior analfabetismo é o analfabetismo político. Para a minha geração era fundamental a participação política não somente durante o período eleitoral, mas, e fundamentalmente, uma ação permanente de conscientização das pessoas para que elas pudessem se tornar sujeitas de seu próprio destino. A nossa utopia nos levava a uma visão de que a alienação das pessoas seria varrida de suas cabeças e que a participação política seria massiva e apoiada em ações que revolucionariam a ordem econômica, social, cultural e de convivência comunitária.
A reconquista da democracia a partir de 1984 e a constituição cidadã de 1988 redobrava a esperança de que a utopia se tornaria uma realidade. A renovação política com o surgimento de novos partidos que captam as aspirações dos movimentos operários e dos movimentos sociais, que floresceram durante o período ditatorial, resultaram em revolucionários programas de governo.
Os partidos de esquerda conseguiram desta forma mobilizar de forma eletrizante parcela significativa da população, mas quando conquistaram o poder as suas bandeiras de lutas foram parcialmente implementadas ou ignoradas totalmente. A frustração foi tão enorme quando foi a dedicação voluntária de milhares de militantes por uma causa política.
Este cenário tornou-se propício para que todos aqueles que aspiravam uma transformação da sociedade buscassem formas alternativas de atuação. Transformar uma indignação em um processo de mudança da realidade era algo impossível para qualquer ser deste país, até a descoberta do terceiro setor.
A ação pública só era identificada com as atividades do Estado daí a necessidade de estarmos vinculados a um partido político para que este servisse de intermediário entre as nossas aspirações e o poder de ação de um governo.
O terceiro setor surge como um atalho entre a nossa vontade transformadora e a ação necessária sobre a realidade. A admirável possibilidade legal de qualquer pessoa criar uma organização em defesa de uma causa e essa pessoa poder atuar diretamente sobre as injustiças sociais, econômicas, culturais, raciais ou pela preservação do meio ambiente, explica o impressionante crescimento das organizações do terceiro setor. Se eu posso atuar por que esperar que o Estado atue por mim, é o que passa a habitar o consciente coletivo.
Não resta dúvida que a revolução associativa que dominou não somente o nosso país mas o mundo todo, tornou-se um fenômeno que alterou completamente o pensar e o agir público contemporâneo. Algumas vezes de forma distorcida como é o caso de quando muitos defendem que o Estado tornou-se um ator secundário na arena social. Nada mais estúpido do que tal pensamento. A sociedade civil por mais que cresça e apareça jamais poderá substituir o Estado em seu poder transformador.
Uma ONG ou uma rede de ONGs ambientalistas pode organizar um espantoso movimento pela despoluição de nossos rios, mas jamais terão o poder de fazer com que as industrias poluidoras reduzam a zero o impacto que causam na natureza. Torna-se necessário que o Estado através de leis e decretos determine que tais empresas acabem com a poluição ou serão penalizadas se continuarem com suas atividades. As soluções estruturais só podem ser dadas pelo Estado.
As organizações do terceiro setor podem e devem colocar como uma prioridade em sua agenda uma atuação coletiva que leve a uma maior influência sobre a atuação do Estado.
Desde o início da luta há mais de uma década pelo reconhecimento da identidade do terceiro setor, não se registrava uma abertura tão grande, por parte de candidatos a cargos executivos, às causas dominantes no terceiro setor.
As eleições municipais estão próximas e tem-se um ambiente propício para que as organizações se unam em torno de temas que são caros a sua missão e que possam, portanto, serem apresentados como uma demanda política. Desta forma pode-se atuar no sentido de construir o Estado que queremos e merecemos.
*Luiz Carlos Merege é professor titular, doutor pela Maxwell School of Citizenship and Public Affairs da Universidade de Syracuse, coordenador do Centro de Estudos do Terceiro Setor - CETS da FGV-EAESP, do curso de Administração para Organizações do Terceiro Setor e do Projeto Censo do Terceiro Setor do Pará .
(Este artigo foi originalmente publicado na edição de setembro da revista Integração, publicação do CETS). Leia a publicação on line.
domingo, 7 de setembro de 2008
ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL: O QUE FAZER DIANTE DO DERRAME
O acidente vascular cerebral (AVC), conhecido popularmente por derrame cerebral, é uma doença séria que pode causar seqüelas irreversíveis se a pessoa não for atendida rapidamente. Conheça suas causas, formas de tratamento e reabilitação.
O que é AVC
O acidente vascular cerebral (AVC) é caracterizado pela lesão no cérebro causada por um "acidente" em um dos vasos sangüineos que irrigam a região cerebral. Pode ocorrer por um entupimento desses vasos, impedindo a circulação sangüínea, caracterizando o "AVC isquêmico", ou, ainda, um vaso sangüineo pode se romper provocando um sangramento no cérebro. Nesse caso, a denominação é "AVC hemorrágico".
O que provoca
O AVC pode ser causado por várias doenças, mas também existem fatores de risco. Os mais comuns para os tipos isquêmicos são pressão alta, diabetes, doenças cardíacas e taxas de colesterol e triglicérides altas. Pode acometer pessoas fumantes. No caso do AVC hemorrágico, os fatores que o ocasionam são a pressão alta, distúrbios de coagulação e, eventualmente, a presença de aneurisma cerebral (dilatação das paredes de artérias ou veias), que é congênito (a pessoa nasce com ele).
Quais os sintomas
Os sintomas do AVC dependem da parte do cérebro que foi lesada. Em geral, pode haver dificuldade na fala e nos movimentos ou alterações na visão. Formigamento ou fraqueza em uma das partes do corpo também é comum, além de dor de cabeça repentina. Estes sintomas são os mais comuns e podem até ter relação com outro problema, mas a recomendação é que a pessoa procure imediatamente um hospital.
Seqüelas
O AVC, em geral, deixa seqüelas que são mais ou menos graves, dependendo da área do cérebro afetada e do tempo que o paciente levou para ser atendido. As mais comuns são paralisia total ou parcial (de um lado do corpo, pode ser esquerdo ou direito); a alteração da fala, tanto no que diz respeito a expressão, quanto na compreensão; alterações visuais, dificuldades que podem atingir um lado do campo esquerdo ou direito e alterações de memória.
Tratamento
A pessoa que sofre AVC isquêmico deve procurar imediatamente um médico neurologista para prescrição de medicamentos apropriados para dissolver os coágulos, causado por entupimento de vaso, para que o sangue volte a circular normalmente na região cerebral atingida.
Reabilitação
A reabilitação de quem sofre AVC é importante no tratamento, passado o momento agudo do acidente. Existem várias formas de reabilitação e sua aplicação vai depender do tipo de comprometimento neurológico que a pessoa tiver. Por exemplo, no comprometimento motor, há intervenções fisioterápicas de várias naturezas. Se o paciente tiver alteração na fala, a Fonoaudiologia pode ser recomendada. Outros tipos de distúrbios neuropsicológicos, por exemplo, distúrbio de atenção, podem ser reabilitados com tratamentos neuropsicológicos. Existem recursos e reabilitação em várias esferas. Somente um especialista pode prescrever o melhor tratamento e a reabilitação adequados para cada caso.
Faixas etárias atingidas
O AVC atinge todas as faixas etárias, sendo raro na infância. É mais freqüente nas pessoas acima de 45 anos. Há isquemias relacionadas com os pacientes que têm diabetes e hipertensão arterial, mas existem outros fatores de risco que são comuns em pacientes mais jovens, como os sangramentos cerebrais por aneurisma, que podem acontecer entre a terceira e quarta décadas da vida. Há também casos de AVC causados por uso de pílula anticoncepcional ou consumo de drogas.
Fonte: Texto extraído do Jornal da AME-Associação Metroviários dos Excepcionais, ANO IV - no. 23 - setembro de 2000.
O que é AVC
O acidente vascular cerebral (AVC) é caracterizado pela lesão no cérebro causada por um "acidente" em um dos vasos sangüineos que irrigam a região cerebral. Pode ocorrer por um entupimento desses vasos, impedindo a circulação sangüínea, caracterizando o "AVC isquêmico", ou, ainda, um vaso sangüineo pode se romper provocando um sangramento no cérebro. Nesse caso, a denominação é "AVC hemorrágico".
O que provoca
O AVC pode ser causado por várias doenças, mas também existem fatores de risco. Os mais comuns para os tipos isquêmicos são pressão alta, diabetes, doenças cardíacas e taxas de colesterol e triglicérides altas. Pode acometer pessoas fumantes. No caso do AVC hemorrágico, os fatores que o ocasionam são a pressão alta, distúrbios de coagulação e, eventualmente, a presença de aneurisma cerebral (dilatação das paredes de artérias ou veias), que é congênito (a pessoa nasce com ele).
Quais os sintomas
Os sintomas do AVC dependem da parte do cérebro que foi lesada. Em geral, pode haver dificuldade na fala e nos movimentos ou alterações na visão. Formigamento ou fraqueza em uma das partes do corpo também é comum, além de dor de cabeça repentina. Estes sintomas são os mais comuns e podem até ter relação com outro problema, mas a recomendação é que a pessoa procure imediatamente um hospital.
Seqüelas
O AVC, em geral, deixa seqüelas que são mais ou menos graves, dependendo da área do cérebro afetada e do tempo que o paciente levou para ser atendido. As mais comuns são paralisia total ou parcial (de um lado do corpo, pode ser esquerdo ou direito); a alteração da fala, tanto no que diz respeito a expressão, quanto na compreensão; alterações visuais, dificuldades que podem atingir um lado do campo esquerdo ou direito e alterações de memória.
Tratamento
A pessoa que sofre AVC isquêmico deve procurar imediatamente um médico neurologista para prescrição de medicamentos apropriados para dissolver os coágulos, causado por entupimento de vaso, para que o sangue volte a circular normalmente na região cerebral atingida.
Reabilitação
A reabilitação de quem sofre AVC é importante no tratamento, passado o momento agudo do acidente. Existem várias formas de reabilitação e sua aplicação vai depender do tipo de comprometimento neurológico que a pessoa tiver. Por exemplo, no comprometimento motor, há intervenções fisioterápicas de várias naturezas. Se o paciente tiver alteração na fala, a Fonoaudiologia pode ser recomendada. Outros tipos de distúrbios neuropsicológicos, por exemplo, distúrbio de atenção, podem ser reabilitados com tratamentos neuropsicológicos. Existem recursos e reabilitação em várias esferas. Somente um especialista pode prescrever o melhor tratamento e a reabilitação adequados para cada caso.
Faixas etárias atingidas
O AVC atinge todas as faixas etárias, sendo raro na infância. É mais freqüente nas pessoas acima de 45 anos. Há isquemias relacionadas com os pacientes que têm diabetes e hipertensão arterial, mas existem outros fatores de risco que são comuns em pacientes mais jovens, como os sangramentos cerebrais por aneurisma, que podem acontecer entre a terceira e quarta décadas da vida. Há também casos de AVC causados por uso de pílula anticoncepcional ou consumo de drogas.
Fonte: Texto extraído do Jornal da AME-Associação Metroviários dos Excepcionais, ANO IV - no. 23 - setembro de 2000.
Poliomielite
Fernando S. V. Martins & Terezinha Marta P.P. Castiñeiras
A poliomielite é uma doença causada por um enterovírus, denominado poliovírus (sorotipos 1, 2 e 3). É mais comum em crianças ("paralisia infantil"), mas também ocorre em adultos. A transmissão do poliovírus "selvagem" pode se dar de pessoa a pessoa através de contato fecal-oral, o que é crítico em situações onde as condições sanitárias e de higiene são inadequadas. Crianças de baixa idade, ainda sem hábitos de higiene desenvolvidos, estão particularmente sob risco. O poliovírus também pode ser disseminado por contaminação fecal de água e alimentos.
Transmissão
O modo de aquisição do poliovírus é oral, através de transmissão fecal-oral ou, raramente, oral-oral. A multiplicação inicial do poliovírus ocorre nos locais por onde penetra no organismo (garganta e intestinos). Em seguida dissemina-se pela corrente sangüínea e, então, infecta o sistema nervoso, onde a sua multiplicação pode ocasionar a destruição de células (neurônios motores), o que resulta em paralisia flácida.
Uma pessoa que se infecta com o poliovírus pode ou não desenvolver a doença. Quando apresenta a doença, pode desenvolver paralisia flácida (permanente ou transitória), meningite ou, eventualmente, evoluir para o óbito. Desenvolvendo ou não sintomas o indivíduo infectado elimina o poliovírus nas fezes, o qual pode ser transmitido para outras pessoas por via oral. A transmissão do poliovírus ocorre mais freqüentemente a partir do indivíduo assintomático. A eliminação é mais intensa 7 a 10 dias antes do início das manifestações iniciais, mas o poliovírus pode continuar a ser eliminado durante 3 a 6 semanas. A poliomielite não tem tratamento específico.
Riscos
A poliomielite ainda é considerada endêmica pela Organização Mundial da Saúde na Nigéria, Índia, Afeganistão e Paquistão. Existem perspectivas de erradicação, mas elevado número de pessoas que deslocam de e para áreas endêmicas fazem com que o risco de reintrodução da poliomielite seja preocupante e, enquanto existirem áreas endêmicas no mundo, permanente. Não sem razão, entre 2003 e 2005, a doença foi reintroduzida , através de casos importados, em 25 países de onde fora anteriorment eliminada.
No Continente Americano, o último caso de poliomielite paralítica causado pelo poliovírus selvagem ocorreu no Perú em agosto de 1991. Em 1994 a eliminação da poliomielite no Continente Americano, o primeiro a obtê-la, foi atestada por uma Comissão Internacional. No Brasil, o último caso de poliomielite com o vírus selvagem ocorreu em 1989, e o país recebeu o Certificado de Eliminação da Poliomielite em 12 de dezembro de 1994. No entanto, o risco de reintrodução do poliovírus selvagem em países de onde a doença já foi eliminada, torna mandatória a vigilância continuada dos casos de paralisia flácida e a manutenção dos programas de imunização para a poliomielite. A vacina contra a poliomielite faz parte do Calendário de Vacinação e é aplicada aos 2, 4, 6 e 15 meses de idade. Além disto, é realizada anualmente uma Campanha Nacional de Imunização, na qual são vacinadas crianças com idade de até cinco anos.
Manifestações
Uma pessoa que se infecta com o poliovírus pode ou não desenvolver a doença e mais 95% das infecções são assintomáticas. O período entre a infecção com o poliovírus e o início dos sintomas (incubação) varia de 3 a 35 dias. Quando ocorrem, as manifestações são semelhantes às de outras doenças, como infecções respiratórias (febre e dor de garganta, "gripe") ou gastrintestinais (náuseas, vômitos, dor abdominal, constipação - "prisão de ventre" - ou, raramente, diarréia). Na maioria das vezes as manifestações desaparecem em uma semana e não ocorre comprometimento do sistema nervoso central.
Em algumas pessoas, após as manifestações iniciais, pode surgir um quadro de meningite asseptica, geralmente, com recuperação completa em até dez dias sem que ocorra paralisia. Contudo, em uma em para cada 200 pessoas infectadas pode haver o desenvolvimento de poliomielite paralítica. A paralisia flácida geralmente começa entre 1 e 10 dias depois das manifestações iniciais e progride por 2 a 3 dias. A poliomielite não tem tratamento específico. Muitas pessoas que desenvolvem poliomielite paralítica se recuperam total ou parcialmente, mas 2 a 5% das crianças e 15 a 30% dos adultos podem evoluir para o óbito.
Medidas de proteção individual
A poliomielite pode ser evitada através de vacinação e medidas de prevenção contra doenças transmitidas por contaminação fecal de água e alimentos. Existem dois tipos de vacinas, a Sabin (oral, com vírus atenuado) e a Salk (injetável, com vírus inativado). A vacina oral contra a poliomielite não deve ser utilizada em pessoas com imunodeficiência (inclusive portadores de HIV) e nem em contactantes destes indivíduos, situações nas quais deve ser utilizada a vacina produzida com vírus inativado (injetável). Os indivíduos com imunodeficência, além do risco maior de poliomielite vacinal, podem eliminar o vírus pelas fezes por períodos prolongados (meses, anos), o que facilita a ocorrência de mutação ("reversão") e constitui um risco para pessoas não vacinadas. O Cives recomenda às pessoas com viagem programada para áreas de risco para poliomielite, que:
Atualizem seus esquemas vacinais contra poliomielite, independentemente da idade (criança ou adulto).
Adotem medidas de prevenção contra as doenças transmitidas por contaminação fecal de água e alimentos (poliomielite, cólera, febre tifóide, hepatite A, hepatite E).
Atualizem a vacina contra febre amarela (validade de 10 anos) e outras doenças imunopreveníveis (como sarampo).
Utilizem medidas de proteção individual contra a malária (paludismo), doença endêmica no Continente Africano e Subcontinente Indiano, contra a qual não existem vacinas disponíveis.
Em países que estiveram ou ainda estão em guerra, não andem por áreas desabitadas ou evitadas pela população local, pelo risco acidentes com minas terrestres explosivas.
Fonte: CIVES
Calendário Básico de Vacinação "Proteção contra doenças e deficiências"
Calendário básico de vacinação (crianças) Idade
Vacinas
Dose
Ao nascer
BCG-ID (1)
dose única
Hepatite B (2)
1ª dose
1 mês
Hepatite B
2ª dose
2 meses
Tetravalente (DTP + Hib) (3)
1ª dose
VOP (vacina oral contra a pólio, Sabin)
1ª dose
VORH (vacina oral contra rotavírus humano) (4) 1ª dose
4 meses
Tetravalente (DTP + Hib)
2ª dose
VOP (vacina oral contra a pólio, Sabin)
2ª dose
VORH (vacina oral contra rotavírus humano) (5) 2ª dose
6 meses
Tetravalente (DTP + Hib)
3ª dose
VOP (vacina oral contra a pólio, Sabin)
3ª dose
Hepatite B
3ª dose
9 meses
Febre amarela (6)
dose única
12 meses
SRC (tríplice viral, MMR)
dose única
15 meses
DTP (tríplice bacteriana)
1º reforço
VOP (vacina oral contra a pólio, Sabin)
reforço
4 - 6 anos
DTP (tríplice bacteriana)
2º reforço
SRC (tríplice viral, MMR)
reforço
10 anos
Febre amarela
reforço
1. A aplicação da dose de reforço com a BCG-ID (intradérmica) foi suspensa a partir de junho de 2006. A segunda dose da BCG continua recomendada para contactantes domiciliares de pessoas com qualquer forma de hanseníase. Ver Nota Técnica no. 66.
2. O esquema básico de vacinação contra a hepatite B é feito com 3 doses. A primeira dose deve ser administrada nas primeiras 12 horas de vida do recém nascido. A segunda e a terceira doses devem ser aplicadas, respectivamente, 30 e 180 dias após a primeira.
3. A vacina tetravalente (DTP+Hib) protege contra Difteria, Tétano, Pertussis (coqueluche) e infecções graves pelo Haemophilus influenzae tipo b (inclusive meningite). Os reforços, o primeiro aos 15 meses e o segundo entre 4 e 6 anos, são feitos com a DTP.
4.
A primeira dose da vacina oral contra rotavírus humano (VORH) pode ser administrada entre 6 a 14 semanas de vida. O intervalo mínimo recomendado entre a primeira e a segunda dose é de 4 semanas.
5.
A segunda dose da vacina oral contra rotavírus humano (VORH) pode ser administrada entre 14 a 24 semanas de vida. O intervalo mínimo recomendado entre a primeira e a segunda dose é de 4 semanas.
6. Crianças a partir dos 9 meses de idade, que residam ou que irão viajar para áreas de risco de febre amarela. Para não vacinados, em caso de viagem para áreas de risco, inclusive no exterior, a vacina contra febre amarela deve ser feita 10 dias antes da partida.
O Cartão de Vacinação é um documento de comprovação de imunidade. É responsabilidade das Unidades de Saúde emití-lo ou atualizá-lo por ocasião da administração de qualquer vacina. Deve ser guardado junto com documentos de identificação pessoal. É importante que seja apresentado nos atendimentos médicos de rotina e fundamental que esteja disponível nos casos de acidentes.
Fonte: Portaria 1602, de 17 de julho de 2006. Publicada no Diário Oficial da União, Brasília, DF, seção 1, p. 66-7, 18 jul. 2006.
Vacinas
Dose
Ao nascer
BCG-ID (1)
dose única
Hepatite B (2)
1ª dose
1 mês
Hepatite B
2ª dose
2 meses
Tetravalente (DTP + Hib) (3)
1ª dose
VOP (vacina oral contra a pólio, Sabin)
1ª dose
VORH (vacina oral contra rotavírus humano) (4) 1ª dose
4 meses
Tetravalente (DTP + Hib)
2ª dose
VOP (vacina oral contra a pólio, Sabin)
2ª dose
VORH (vacina oral contra rotavírus humano) (5) 2ª dose
6 meses
Tetravalente (DTP + Hib)
3ª dose
VOP (vacina oral contra a pólio, Sabin)
3ª dose
Hepatite B
3ª dose
9 meses
Febre amarela (6)
dose única
12 meses
SRC (tríplice viral, MMR)
dose única
15 meses
DTP (tríplice bacteriana)
1º reforço
VOP (vacina oral contra a pólio, Sabin)
reforço
4 - 6 anos
DTP (tríplice bacteriana)
2º reforço
SRC (tríplice viral, MMR)
reforço
10 anos
Febre amarela
reforço
1. A aplicação da dose de reforço com a BCG-ID (intradérmica) foi suspensa a partir de junho de 2006. A segunda dose da BCG continua recomendada para contactantes domiciliares de pessoas com qualquer forma de hanseníase. Ver Nota Técnica no. 66.
2. O esquema básico de vacinação contra a hepatite B é feito com 3 doses. A primeira dose deve ser administrada nas primeiras 12 horas de vida do recém nascido. A segunda e a terceira doses devem ser aplicadas, respectivamente, 30 e 180 dias após a primeira.
3. A vacina tetravalente (DTP+Hib) protege contra Difteria, Tétano, Pertussis (coqueluche) e infecções graves pelo Haemophilus influenzae tipo b (inclusive meningite). Os reforços, o primeiro aos 15 meses e o segundo entre 4 e 6 anos, são feitos com a DTP.
4.
A primeira dose da vacina oral contra rotavírus humano (VORH) pode ser administrada entre 6 a 14 semanas de vida. O intervalo mínimo recomendado entre a primeira e a segunda dose é de 4 semanas.
5.
A segunda dose da vacina oral contra rotavírus humano (VORH) pode ser administrada entre 14 a 24 semanas de vida. O intervalo mínimo recomendado entre a primeira e a segunda dose é de 4 semanas.
6. Crianças a partir dos 9 meses de idade, que residam ou que irão viajar para áreas de risco de febre amarela. Para não vacinados, em caso de viagem para áreas de risco, inclusive no exterior, a vacina contra febre amarela deve ser feita 10 dias antes da partida.
O Cartão de Vacinação é um documento de comprovação de imunidade. É responsabilidade das Unidades de Saúde emití-lo ou atualizá-lo por ocasião da administração de qualquer vacina. Deve ser guardado junto com documentos de identificação pessoal. É importante que seja apresentado nos atendimentos médicos de rotina e fundamental que esteja disponível nos casos de acidentes.
Fonte: Portaria 1602, de 17 de julho de 2006. Publicada no Diário Oficial da União, Brasília, DF, seção 1, p. 66-7, 18 jul. 2006.
O Potencial Revolucionário das Células-tronco
Julho/2004
Por meio do congelamento, o ser humano encontrou uma maneira de preservar o que o tempo degenera. Depois de dominar a conservação de alimentos, o homem aprimorou técnicas que permitem congelar formas de vida, protegendo-as do envelhecimento e da morte.
O congelamento de unidades vivas, tais como as células-tronco, é um exemplo de como a ciência terapêutica pode ajudar o ser humano. Estas células, base da chamada Medicina Regenerativa, podem ser utilizadas para reparar tecidos danificados e tratar enfermidades incuráveis como câncer, lesões da medula espinhal, diabetes, entre outras.
Em 16 anos, as células-tronco já foram utilizadas para substituir o transplante de medula óssea, no tratamento da leucemia, linfoma, mieloma e algumas enfermidades imunológicas. Graças a pesquisas em andamento, podemos esperar que, num futuro próximo, essas células sejam utilizadas no tratamento de doenças cardíacas, neurológicas e endócrinas. Estudos revelaram que elas poderão, inclusive, substituir dentes humanos através de uma terceira dentição.
Apesar do seu potencial revolucionário, os problemas com a coleta de células-tronco em embriões levaram especialistas de diversos países a optar pelo sangue do cordão umbilical e da placenta, que é rico neste material e não compromete os princípios da bioética. Em todo o mundo, inclusive no Brasil, existem bancos privados dedicados exclusivamente a esta tarefa, como a Criogênesis, com 2 anos de existência e pioneira do país no armazenamento do sangue do cordão umbilical.
Após o parto, geralmente o cordão umbilical é descartado pelas equipes de obstetrícia. Hoje, existe a opção de coletar e armazenar as células do cordão em pelo menos 15 minutos após o nascimento. O procedimento é totalmente seguro, pois o sangue só é retirado após a separação do bebê e da mãe. Os pais que optam pelo congelamento do sangue do recém-nascido, estão na verdade, fazendo um backup celular do filho, que poderá no futuro garantir o tratamento de várias doenças. A finalidade é garantir ao doador uma reserva celular que poderá ser-lhe útil no futuro em ocorrências de doenças que possam ser tratadas pela infusão de células-tronco.
Com relação às doenças da medula óssea, a dificuldade de se encontrar doadores compatíveis é expressiva, principalmente no Brasil, devido à intensidade da miscigenação racial. A chance de compatibilidade entre irmãos é de 25% e entre não aparentados é de somente 0,000025%. Mesmo quando se avalia a possibilidade do auto-transplante, a medula pode ser ineficiente, uma vez que existem chances de estar contaminada pela própria doença do paciente. Além disso, nos raros diagnósticos em que sua utilização é possível, a coleta das células da medula exige anestesia e procedimentos cirúrgicos, o que debilita ainda mais a saúde do paciente.
A utilização das células-tronco provenientes da placenta para transplante apresenta inúmeras vantagens em relação à utilização de medula óssea, pois são mais jovens, possuem menor potencial de rejeição e são coletadas de maneira não traumática e indolor.
O armazenamento das células-tronco, além de servir para uso próprio, pode também beneficiar parentes próximos, principalmente irmãos. Com as células criopreservadas há garantia de rapidez no tratamento e não há riscos de rejeição após o transplante caso elas sejam do próprio doador. Em 1988 foi realizado, com sucesso, o primeiro transplante de medula óssea feito com células do cordão umbilical. Desde então, mais de 2.500 procedimentos já foram realizados em todo o mundo.
Nelson Tatsui
Hematologista
Fonte: Hospitalar.com
Segunda Opinião
Posicionamento do Dr. Silvano Wendel, Diretor médico do banco de sangue do hospital Sírio Libanês/São Paulo, sobre bancos de cordão umbilical.
A tecnologia de congelamento de células de cordão é muito bem dominada por alguns serviços médicos no Brasil há vários anos. Logo, seria natural que migrássemos para esse campo. Mas, mesmo sendo factível a sua introdução, ficamos convencidos de que essa seria uma área que só deveria ser implantada por instituições (preferencialmente públicas) responsáveis pelo tratamento de um grande contingente de pacientes, pois só com um cadastro nacional abrangente poderiam ser atendidos aqueles com indicação de transplante de medula óssea que não tivessem doadores relacionados disponíveis.
Infelizmente, foi com muito pesar que vi a proliferação de bancos de cordão voltados ao possível atendimento dos próprios doadores do cordão (crianças saudáveis e provenientes de famílias com bons recursos financeiros), uma prática totalmente desnecessária e com pouca repercussão do ponto de vista da saúde pública. Foi por esse motivo que nunca nos aventuramos nesta área.
Fonte: FSP, 23/07/2004.
Por meio do congelamento, o ser humano encontrou uma maneira de preservar o que o tempo degenera. Depois de dominar a conservação de alimentos, o homem aprimorou técnicas que permitem congelar formas de vida, protegendo-as do envelhecimento e da morte.
O congelamento de unidades vivas, tais como as células-tronco, é um exemplo de como a ciência terapêutica pode ajudar o ser humano. Estas células, base da chamada Medicina Regenerativa, podem ser utilizadas para reparar tecidos danificados e tratar enfermidades incuráveis como câncer, lesões da medula espinhal, diabetes, entre outras.
Em 16 anos, as células-tronco já foram utilizadas para substituir o transplante de medula óssea, no tratamento da leucemia, linfoma, mieloma e algumas enfermidades imunológicas. Graças a pesquisas em andamento, podemos esperar que, num futuro próximo, essas células sejam utilizadas no tratamento de doenças cardíacas, neurológicas e endócrinas. Estudos revelaram que elas poderão, inclusive, substituir dentes humanos através de uma terceira dentição.
Apesar do seu potencial revolucionário, os problemas com a coleta de células-tronco em embriões levaram especialistas de diversos países a optar pelo sangue do cordão umbilical e da placenta, que é rico neste material e não compromete os princípios da bioética. Em todo o mundo, inclusive no Brasil, existem bancos privados dedicados exclusivamente a esta tarefa, como a Criogênesis, com 2 anos de existência e pioneira do país no armazenamento do sangue do cordão umbilical.
Após o parto, geralmente o cordão umbilical é descartado pelas equipes de obstetrícia. Hoje, existe a opção de coletar e armazenar as células do cordão em pelo menos 15 minutos após o nascimento. O procedimento é totalmente seguro, pois o sangue só é retirado após a separação do bebê e da mãe. Os pais que optam pelo congelamento do sangue do recém-nascido, estão na verdade, fazendo um backup celular do filho, que poderá no futuro garantir o tratamento de várias doenças. A finalidade é garantir ao doador uma reserva celular que poderá ser-lhe útil no futuro em ocorrências de doenças que possam ser tratadas pela infusão de células-tronco.
Com relação às doenças da medula óssea, a dificuldade de se encontrar doadores compatíveis é expressiva, principalmente no Brasil, devido à intensidade da miscigenação racial. A chance de compatibilidade entre irmãos é de 25% e entre não aparentados é de somente 0,000025%. Mesmo quando se avalia a possibilidade do auto-transplante, a medula pode ser ineficiente, uma vez que existem chances de estar contaminada pela própria doença do paciente. Além disso, nos raros diagnósticos em que sua utilização é possível, a coleta das células da medula exige anestesia e procedimentos cirúrgicos, o que debilita ainda mais a saúde do paciente.
A utilização das células-tronco provenientes da placenta para transplante apresenta inúmeras vantagens em relação à utilização de medula óssea, pois são mais jovens, possuem menor potencial de rejeição e são coletadas de maneira não traumática e indolor.
O armazenamento das células-tronco, além de servir para uso próprio, pode também beneficiar parentes próximos, principalmente irmãos. Com as células criopreservadas há garantia de rapidez no tratamento e não há riscos de rejeição após o transplante caso elas sejam do próprio doador. Em 1988 foi realizado, com sucesso, o primeiro transplante de medula óssea feito com células do cordão umbilical. Desde então, mais de 2.500 procedimentos já foram realizados em todo o mundo.
Nelson Tatsui
Hematologista
Fonte: Hospitalar.com
Segunda Opinião
Posicionamento do Dr. Silvano Wendel, Diretor médico do banco de sangue do hospital Sírio Libanês/São Paulo, sobre bancos de cordão umbilical.
A tecnologia de congelamento de células de cordão é muito bem dominada por alguns serviços médicos no Brasil há vários anos. Logo, seria natural que migrássemos para esse campo. Mas, mesmo sendo factível a sua introdução, ficamos convencidos de que essa seria uma área que só deveria ser implantada por instituições (preferencialmente públicas) responsáveis pelo tratamento de um grande contingente de pacientes, pois só com um cadastro nacional abrangente poderiam ser atendidos aqueles com indicação de transplante de medula óssea que não tivessem doadores relacionados disponíveis.
Infelizmente, foi com muito pesar que vi a proliferação de bancos de cordão voltados ao possível atendimento dos próprios doadores do cordão (crianças saudáveis e provenientes de famílias com bons recursos financeiros), uma prática totalmente desnecessária e com pouca repercussão do ponto de vista da saúde pública. Foi por esse motivo que nunca nos aventuramos nesta área.
Fonte: FSP, 23/07/2004.
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