O Potencial Revolucionário das Células-tronco

Julho/2004

Por meio do congelamento, o ser humano encontrou uma maneira de preservar o que o tempo degenera. Depois de dominar a conservação de alimentos, o homem aprimorou técnicas que permitem congelar formas de vida, protegendo-as do envelhecimento e da morte.

O congelamento de unidades vivas, tais como as células-tronco, é um exemplo de como a ciência terapêutica pode ajudar o ser humano. Estas células, base da chamada Medicina Regenerativa, podem ser utilizadas para reparar tecidos danificados e tratar enfermidades incuráveis como câncer, lesões da medula espinhal, diabetes, entre outras.

Em 16 anos, as células-tronco já foram utilizadas para substituir o transplante de medula óssea, no tratamento da leucemia, linfoma, mieloma e algumas enfermidades imunológicas. Graças a pesquisas em andamento, podemos esperar que, num futuro próximo, essas células sejam utilizadas no tratamento de doenças cardíacas, neurológicas e endócrinas. Estudos revelaram que elas poderão, inclusive, substituir dentes humanos através de uma terceira dentição.

Apesar do seu potencial revolucionário, os problemas com a coleta de células-tronco em embriões levaram especialistas de diversos países a optar pelo sangue do cordão umbilical e da placenta, que é rico neste material e não compromete os princípios da bioética. Em todo o mundo, inclusive no Brasil, existem bancos privados dedicados exclusivamente a esta tarefa, como a Criogênesis, com 2 anos de existência e pioneira do país no armazenamento do sangue do cordão umbilical.

Após o parto, geralmente o cordão umbilical é descartado pelas equipes de obstetrícia. Hoje, existe a opção de coletar e armazenar as células do cordão em pelo menos 15 minutos após o nascimento. O procedimento é totalmente seguro, pois o sangue só é retirado após a separação do bebê e da mãe. Os pais que optam pelo congelamento do sangue do recém-nascido, estão na verdade, fazendo um backup celular do filho, que poderá no futuro garantir o tratamento de várias doenças. A finalidade é garantir ao doador uma reserva celular que poderá ser-lhe útil no futuro em ocorrências de doenças que possam ser tratadas pela infusão de células-tronco.

Com relação às doenças da medula óssea, a dificuldade de se encontrar doadores compatíveis é expressiva, principalmente no Brasil, devido à intensidade da miscigenação racial. A chance de compatibilidade entre irmãos é de 25% e entre não aparentados é de somente 0,000025%. Mesmo quando se avalia a possibilidade do auto-transplante, a medula pode ser ineficiente, uma vez que existem chances de estar contaminada pela própria doença do paciente. Além disso, nos raros diagnósticos em que sua utilização é possível, a coleta das células da medula exige anestesia e procedimentos cirúrgicos, o que debilita ainda mais a saúde do paciente.

A utilização das células-tronco provenientes da placenta para transplante apresenta inúmeras vantagens em relação à utilização de medula óssea, pois são mais jovens, possuem menor potencial de rejeição e são coletadas de maneira não traumática e indolor.

O armazenamento das células-tronco, além de servir para uso próprio, pode também beneficiar parentes próximos, principalmente irmãos. Com as células criopreservadas há garantia de rapidez no tratamento e não há riscos de rejeição após o transplante caso elas sejam do próprio doador. Em 1988 foi realizado, com sucesso, o primeiro transplante de medula óssea feito com células do cordão umbilical. Desde então, mais de 2.500 procedimentos já foram realizados em todo o mundo.

Nelson Tatsui
Hematologista
Fonte: Hospitalar.com


Segunda Opinião
Posicionamento do Dr. Silvano Wendel, Diretor médico do banco de sangue do hospital Sírio Libanês/São Paulo, sobre bancos de cordão umbilical.

A tecnologia de congelamento de células de cordão é muito bem dominada por alguns serviços médicos no Brasil há vários anos. Logo, seria natural que migrássemos para esse campo. Mas, mesmo sendo factível a sua introdução, ficamos convencidos de que essa seria uma área que só deveria ser implantada por instituições (preferencialmente públicas) responsáveis pelo tratamento de um grande contingente de pacientes, pois só com um cadastro nacional abrangente poderiam ser atendidos aqueles com indicação de transplante de medula óssea que não tivessem doadores relacionados disponíveis.

Infelizmente, foi com muito pesar que vi a proliferação de bancos de cordão voltados ao possível atendimento dos próprios doadores do cordão (crianças saudáveis e provenientes de famílias com bons recursos financeiros), uma prática totalmente desnecessária e com pouca repercussão do ponto de vista da saúde pública. Foi por esse motivo que nunca nos aventuramos nesta área.

Fonte: FSP, 23/07/2004.

Um comentário:

SILVANA disse...

Bom dia.
Prezados, sou portadora de LES e minha pergunta é: os portadores de LES tem direito a inserção de impostos na compra de carro.?
Aproveito para parabeniza-los pela iniciativa.
Aguardo uma resposta.
Silvana MF
Maranhão.