O projeto “Superarte” é uma proposta da Adef que pretende transformar a “pintura em tela” em uma mola propulsora de superação dos próprios limites e comprovar que o talento artístico de cada um, independe da condição física ou intelectual.

Cada um tem uma forma peculiar de aprendizagem. Porém, nossos sentimentos, sonhos e desejos podem se revelar com maior facilidade através de imagens, que darão interpretação a perspectiva individual e possibilitarão o autoconhecimento.

Através desta iniciativa, que o público-alvo adquire percepção frente ao seu talento e dom artístico, superando obstáculos, trocando experiências, compartilhando relações afetivas, além de obter uma fonte de renda complementar.



O projeto “Eu Canto, Tú Cantas e Ele Canta” é uma proposta da Adef que pretende transformar a “Música” em uma mola propulsora de superação dos próprios limites e comprovar que o talento artístico de cada um, independe da condição física ou intelectual. Ao realizar-se esta atividade artística, desenvolvem-se competências pessoais que aprimoram o desempenho, estabelecendo formas de expressão entre o real e o imaginário, o pragmático e o sensível, transformando o ato criativo em canção.



A luta para continuar na escola

A partir da iniciativa de familiares, uma Proposta de Emenda à Constituição tem por objetivo garantir às pessoas com deficiências a permanência na rede regular de ensino em qualquer idade e nível de instrução, e não somente até os 21 anos, como ocorre atualmente no DF
Mariana Sacramento
Publicação: 01/08/2010 Correio Braziliense

Além das limitações, Fabiana Amaral Almeida, a Fafá, 30 anos, Alessandro Silva Cruz, 32, e Ariano Nóbrega, 43, têm em comum o amor à escola. É no colégio que eles interagem com o mundo, ficam felizes, desenvolvem habilidades: sentem-se vivos. A manutenção deles nesse ambiente favorável só é possível graças à insistência de familiares. A Constituição não garante atendimento educacional especializado sem restrições etárias às pessoas com deficiências - o trio tem deficit cognitivo. Os sistemas de ensino do país interpretam que, ao completar 18 anos, elas não têm mais direito legal à rede regular de ensino, e dificultam a permanência delas em sala de aula. Em Brasília, a terminalidade se dá aos 21 anos. Mas um grupo luta para mudar essa realidade. E conseguiu emplacar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC 347/2009) que visa proporcionar a esses seres humanos educação integral irrestrita: em qualquer idade e nível de instrução. O texto está em análise no Congresso Nacional.

A iniciativa partiu de familiares que sentem na pele as barreiras impostas pela rede de ensino do Distrito Federal para abrigar adultos com deficiências - assim como ocorre em todo o país. Eles conseguiram sensibilizar a deputada federal Rita Camata (PSDB - ES), que assinou a proposta. A expectativa das famílias é de que os parlamentares promulguem a PEC no segundo semestre, que começa nesta semana. No último dia 13, a proposta avançou na Câmara dos Deputados. O deputado Paulo Delgado (PT-MG), relator da proposta em Comissão Especial, deu parecer favorável à alteração constitucional.

Luta
"A aprovação da PEC é a única forma de garantir educação às pessoas com deficiências. Assim, não vamos mais correr o risco de chegar à porta da escola e ouvir que o adulto com deficiência não tem direito de estudar e está roubando o lugar de outra pessoa", afirma a pensionista Maria do Socorro Nery da Silva Cruz, 51 anos, tia de Alessandro. Em outubro de 2007, Socorro se surpreendeu com o bilhete enviado pela direção da escola onde o rapaz estuda, no Guará. O documento de renovação de matrícula informava que Alessandro migraria para a educação profissionalizante. Em vez de frequentar as aulas regularmente, passaria a participar de oficinas pedagógicas, uma ou duas vezes por semana. "Não é que as oficinas sejam ruins, o problema é reduzir o contato dele com o ambiente acadêmico. Ele é louco pela escola. Quando chegam as férias, ele já pergunta que dia vão acabar", relata Socorro.

Alessandro sofreu uma lesão cerebral durante o parto, que comprometeu o desenvolvimento do rapaz. A mãe não resistiu às complicações da operação e morreu. "O Estado errou com ele duas vezes. Primeiro com a negligência médica que ocasionou a lesão (os médicos protelaram para realizar o parto de Alessandro, que por isso precisou ser forçado) e, depois, negando a ele a permanência na escola", reclama Socorro. Mesmo com o documento em mãos, a tia, que também é mãe, não entregou os pontos. Mobilizou a classe política em busca de amparo. E conseguiu acesso ao então secretário de Educação, José Valente, que manteve Alessandro na escola. O episódio serviu para a família do rapaz perceber que não lutava sozinha. "Vimos que milhares de pessoas aqui no DF também sofrem com essa falta de amparo. A gente não tem a quem recorrer."

O pai de Fafá também está na briga pela permanência da filha em um colégio especializado, na Asa Sul, durante cinco dias da semana. "Fabiana é uma pessoa fácil de lidar, mas ela precisa de escola para seguir a vida. A legislação fala, num certo momento, na terminalidade da educação, só que a educação não acaba para ninguém", acredita o empresário Fernando Almeida, 62 anos. O diagnóstico de Fafá não é fechado. A única coisa que os médicos afirmam é que a moça tem paralisia cerebral. Às vezes, ela aparenta idade mental de uma criança de um ano e meio, por ter dificuldade na fala. Por outro lado, sabe nadar, montar a cavalo e até dançar sozinha, habilidades desenvolvidas graças ao apoio pedagógico escolar. "Ela sabe brincar com as pessoas, sabe ser carinhosa, sabe ser feliz no mundinho dela. Quem disse que ela precisa ter um currículo? A grande questão é: será que isso é tão importante para o Estado? Se a pessoa não é produtiva, não serve para a sociedade?", questiona o pai, que adotou a moça quando ela tinha uma semana de vida.

Para a psicológica e educadora Arabela Nobrega, 50 anos, nunca é tarde para a educação. "O Ariano começou a ser alfabetizado há 4 anos. Depois de décadas acumulando estímulos e maturidade", relata. Arabela é irmã de Ariano Nóbrega. O terceiro personagem desta história. Ele possui uma síndrome rara, que comprometeu o sistema neurológico e afetou a visão e a audição do rapaz. Ele começou a estudar aos 13 anos. Frequentou escolas especializadas e inclusivas. E agora parte outra etapa. Vai aprender a ler em braile. "É um processo pedagógico que não pode ser interrompido por conta da idade", complementa a irmã.

Resistência
Assim como Alessandro, Fafá e Ariano, milhares de famílias no DF lutam para manter parentes com deficiências cognitivas em sala de aula. O gerente de Educação Especial da Secretaria de Educação, Délcio Ferreira Batalha, explica que o Conselho de Educação do DF determinou o limite de 21 anos para prestar atendimento na rede regular. "Na verdade, o aluno não é excluído, passa a ter um outro atendimento, que não é de segunda a sexta. Após o certificado, o aluno com deficiência é transferido para o Ensino de Jovens e Adultos (EJA) ou para oficinas no Serviço de Orientação de Trabalho", explica Délcio. Segundo ele, o serviço de orientação é fornecido em apenas dois dos 13 Centros de Ensinos Especiais do DF.

"A Constituição não foi totalmente explícita ao garantir o direito a educação às pessoas com debilidades mentais e o Estado coloca resistência para que elas não venham mais a frequentar o ensino. Esses adolescentes e adultos ficam descriminados", explica Sérgio Domingos, defensor público da Vara da Infância e da Juventude do DF.

Ele conta que já tentou mover na Justiça várias ações em favor de pessoas que o procuraram com esse problema. "O Judiciário sustenta que falta previsibilidade legal para mantê-los na escola. Hoje, precisamos buscar subterfúgios para que o Estado venha a cumprir essa demanda", alerta o defensor. Foi ele quem elaborou a minuta da PEC apresentada pela deputada Rita Camata na Câmara dos Deputados. Estima-se que, no Brasil, existam mais de 25 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. Mais de 600 mil frequentam a escola. Cerca de 375 mil são atendidos em escolas especializadas. E mais de 260 mil em instituições regulares. A maioria (60%) está inserida na rede pública de ensino.

A saga de um grupo especial de brasilienses pode trazer uma mudança significativa para pessoas com deficiências do Brasil inteiro. "A ideia é que a normatização torne explícito o direito à continuidade da educação", espera Sérgio.

O que diz a lei

O palavra terminalidade é utilizada no inciso II do artigo 59 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). De acordo com a redação, os sistemas de ensino assegurarão terminalidade específica para aqueles alunos que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar. No DF, a terminalidade na rede regular de ensino se dá aos 21 anos.

Modificação proposta:

Constituição Federal
"Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de:
I
II
III (texto atual) atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino. "

A PEC (347/2009) sugere o seguinte complemento ao texto: %u201Cem qualquer faixa etária e nível de instrução%u201D. A nova redação ficaria dessa forma:

"Art. 208. dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de:
I
II
III (modificado pela PEC) atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino, em qualquer faixa etária e nível de instrução."

Trâmites:
Por trás da promulgação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), há um trâmite exigente. Primeiro, sua forma é julgada constitucional ou inconstitucional pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Vencida essa etapa, cria-se uma comissão especial para avaliar a proposta. Se o texto for aprovado nessa comissão específica, segue para apreciação em Plenário. Ela é votada em dois turnos. Em cada um deles é preciso que três quintos dos parlamentares (308) votem a favor da emenda. Depois de passar pela Câmara dos Deputados, a PEC é encaminhada ao Senado Federal. Os senadores apreciam a PEC em dois turnos. Para o texto ser incluído na Carta Magna, é preciso que ele seja aprovado em cada seção por três quintos dos senadores. A PEC não precisa ser sancionada pelo presidente da República. Desde a promulgação da constituinte, em 1988, até hoje foram feitas 63 emendas à Constituição. Atualmente, 37 PECs estão sendo analisadas em comissões especiais.

FONTE http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/08/01/cidades,i=205431/A+LUTA+PARA+CONTINUAR+NA+ESCOLA.shtml (continha imagens retiradas para facilitar leitura por pessoas cegas - informa o DEFNET)

Mitos sobre as pessoas com deficiência

Idéias errôneas que fazem parte do senso comum

Os preconceitos são sustentados por mitos (idéias falsas, sem correspondente na realidade) nos quais as pessoas acreditam sem muitas vezes perceber o quanto eles são absurdos.

Estes preconceitos são transmitidos na sociedade sem serem percebidos, como se fossem naturais. Para isso a única cura é a informação e o convívio com pessoas diversas. Abaixo mostramos alguns mitos. Conhecendo-os e refletindo a respeito ficará mais fácil combatê-los.

Deficiência é sempre fruto de herança familiar
No Brasil e no mundo as grandes causas de deficiência não têm origem genética e nem são hereditárias. Na maior parte dos casos elas são resultados da falta de saneamento básico que ocasiona infecções, falta de assistência pré-natal e ao parto e, principalmente, os acidentes de carro e a violência por arma de fogo.

As pessoas com deficiência são todas amigas ou familiares uns dos outros
As pessoas quando encontram alguém com deficiência costumam perguntar se ela conhece uma outra pessoa "assim, assado, com uma cadeira de tal cor", como se todas as pessoas com deficiência do mundo se conhecessem e fossem amigas. As pessoas com deficiência não vivem em um mundo a parte onde só existam outras pessoas assim e o fato de terem a mesma deficiência, por exemplo, não faz com que automaticamente concordem sobre tudo. São pessoas diferentes com diferentes visões de mundo, assim como qualquer outra.

Existem remédios milagrosos que curam as deficiências
Apesar dos esforços e conquistas decorrentes das pesquisas e do conhecimento de biologia molecular, os diferentes tipos de deficiência ainda não têm cura. Em alguns casos existem medicamentos que podem auxiliar em um ou outro sintoma, mas o mais importante é a estimulação da pessoa e a minimização da desvantagem, ou seja, tornar o ambiente mais acessível física e atitudinalmente para que todos possam usufrui-lo.

Deficiência é doença
Deficiência não é doença nem é contagiosa. Uma deficiência pode ser seqüela de uma doença, mas não é a própria doença.

Pessoas com deficiência física não têm vida sexual
Sexualidade é algo muito mais amplo que sexo e, consequentemente, sexo é muito mais que genitalidade. A pessoa com deficiência física, seja homem ou mulher, tem vida sexual, namora, casa e na maior parte dos casos pode ter filhos.

Todo surdo é mudo
A pessoa com surdez na maior parte dos casos apresenta os órgão fono-articulatórios íntegros e tem todo o potencial para desenvolvimento da fala.
Não é porque é surdo que se torna automaticamente mudo. A mudez autêntica é extremamente rara e decorrente de lesões cerebrais.

A pessoa com deficiência mental gosta de trabalhos repetitivos
Algumas pessoas podem se sentir mais confortáveis com atividades repetitivas, isso faz parte da diversidade humana de aptidões e personalidades, mas não é característica de um determinado grupo de pessoas.
Algumas pessoas com deficiência mental gostam de ambientes e atividades mais estruturadas, outras gostam das expressivas e artísticas, ou seja, como qualquer outra pessoa elas têm gostos e preferências.

Só há duas categorias de pessoas: os cegos e os que vêm "normalmente"
Existem pessoas com baixa visão, podem distingüir formas ou cores. Algumas pessoas com baixa visão podem ler com o auxílio de uma lupa. Também existem as pessoas que não enxergam.

Todo cego tem tendência à música
A pessoa cega tem uma atenção diferenciada aos estímulos auditivos, afinal a audição a auxilia na locomoção e localização, ajudando na noção de distância. Daí para esta atenção tornar-se um talento sobrenatural para a música, há uma grande diferença.

Fonte: tele-centros.org

Outras dificuldades, distúrbios e síndromes

Orientações sobre diabetes, hemofilia, Alzheimer, talassemia, hanseníase, doença celíaca, autismo, distúrbios de comunicação e dificuldades de aprendizagem

Esta seção traz informações sobre as causas e os sintomas das doenças crônicas mais freqüentes, além da descrição de alguns distúrbios de comunicação e outras dificuldades de aprendizagem. É importante lembrar que estas doenças não são deficiências, embora muitas vezes as pessoas façam confusão entre elas. Incluímos as explicações sobre estas doenças porque estas perguntas podem surgir e queremos que os monitores dos Telecentros saibam o que responder e onde procurar informações mais detalhadas. É necessário procurar saber a causa destes problemas, buscando diagnósticos de médicos e de profissionais especializados, como psicólogos e fonoaudiólogos.

Diabetes

É uma doença causada por uma disfunção do pâncreas, que deixa de produzir insulina (o hormônio que controla a entrada de glicose nas células e seu nível no sangue) ou a produz em menor volume que o necessário. Estima-se que 7,6% da população mundial tenha diabete. Nos grandes centros, esse índice pode chegar a 9,6%. Há vários tipos de diabete, os mais comuns são do tipo 1 e 2.

O diabetes tipo 1 é uma doença caracterizada pela destruição das células secretoras de insulina, na maioria dos casos, se desenvolve na infância ou adolescência. No segundo tipo, a insulina é produzida em nível mais baixo que o necessário. Os pacientes de ambos os grupos são dependentes do uso terapêutico da insulina.

No diabete tipo 2, os sintomas podem ser imperceptíveis por até sete anos. A doença costuma ser diagnosticada já no estágio avançado e seus sintomas são sede excessiva, aumento da freqüência e da quantidade de urina, infecções urinárias e de pele, emagrecimento e problemas com a visão. Os sintomas do diabete tipo 1 são os mesmos da tipo 2, mas aparecem de forma mais repentina.

Hemofilia

Este termo designa um grupo de doenças, de origem hereditária, que dificultam a coagulação do sangue. Por serem problemas ligados ao cromossomo Y, afetam apenas as pessoas do sexo masculino.

Alzheimer

A doença de Alzheimer é uma síndrome de causa desconhecida e incurável. Contudo, nos últimos anos a medicina tem feito esforços para evitar que se produzam as primeiras lesões cerebrais da doença, que têm início em torno dos 40 anos. Alzheimer é o sobrenome do médico alemão, Alois Alzheimer (1864-1915) que, em 1906, ao fazer uma autópsia, descobriu no cérebro do morto lesões que ninguém havia visto antes. Tratava-se de um problema dentro dos neurônios, que apareciam atrofiados em vários lugares do cérebro e cheios de placas estranhas e fibras retorcidas, enroscadas umas nas outras. Desde então, esse tipo de degeneração nos neurônios ficou conhecido como placas senis, característica fundamental da doença de Alzheimer.

No início, a pessoa com doença de Alzheimer mostra apenas uma leve perda de memória, que interfere no pensamento. Depois, tem dificuldade de fazer contas ou desenvolver raciocínios simples, por exemplo.
Posteriormente, pode surgir uma fase onde a pessoa tem sintomas de desorientação, dificuldades para tomar decisões ou mesmo para conversar. Apesar de ser uma doença que afeta predominantemente pessoas idosas, ela deve ser objeto de atenção geral, pois a expectativa de vida da população da maioria dos países está aumentando.

Talassemia

É o nome que se dá a uma doença caracterizada por baixo número de glóbulos vermelhos no sangue. A palavra talassemia deriva de uma combinação das palavras gregas, talassa = mar e hemes =sangue. Com este termo os médicos descreviam uma doença do sangue cuja origem está nos países banhados pelo mar, mais precisamente o Mediterrâneo, tanto é que também é chamada de "anemia do Mediterrâneo".

Geralmente as pessoas portadoras de talassemia se tornam muito anêmicas e pálidas, não crescendo até a estatura que atingiriam se fossem saudáveis. Outro sinal freqüente é a existência de um aumento no baço, problema diagnosticado durante os exames médicos. A talassemia é uma característica do sangue transmitida de pais para filhos.

Distúrbios de comunicação

Existem diversos tipos de dificuldades agrupadas sob a categoria de "distúrbios de comunicação". Alguns exemplos são os distúrbios de articulação, de voz, de linguagem, a fissura labiopalatal e a gagueira.

Estas dificuldades estão apenas na fala, na emissão de som, não atingindo a capacidade intelectual das pessoas. É importante saber disso para tratar estas pessoas de forma natural e saber o que esperar durante a realização das tarefas no computador.

Fissura labiopalatal

É uma abertura na região do lábio ou palato, ocasionada pelo não fechamento dessas estruturas, que ocorre entre a quarta e a décima semana de gestação. As fissuras podem ser unilaterais ou bilaterais e variam desde formas mais leves, até formas mais graves. No Brasil, a cada 650 crianças uma tem essa malformação labiopalatal, chamada popularmente de "lábio leporino".

A causa é multifatorial, podendo combinar fatores genéticos e ambientais. Dentre os fatores ambientais estão o uso do álcool ou de cigarros, a realização de raio X na região abdominal ou a ingestão de medicamentos com anticonvulsivantes ou corticóides durante o primeiro trimestre da gravidez.

Dislalia

A dislalia uma perturbação da fala caracterizada por hesitação repetitiva, demora na emissão das palavras ou prolongamento anormal dos sons. Começa geralmente na infância, em 90% dos casos antes dos 8 anos.

Ecolalia

A ecolalia é a repetição da última palavra, som ou frase ouvida. É considerada um distúrbio de comunicação semelhante à gagueira.

Afasia

A afasia é um comprometimento verbal que implica em distúrbios de vocabulário ou de problemas quanto a compreensão de linguagem. Pode estar acompanhada de disgrafia.

Doença celíaca

A doença celíaca consiste na incapacidade de digerir glúten, um componente natural de quase todos os cereais (aveia, centeio, trigo, cevada, etc), exceto o milho e o arroz. Essa doença desencadeia uma reação inflamatória no intestino delgado, que resulta em diminuição da área disponível para absorção de nutrientes, líquidos e eletrólitos.

Os sinais mais comuns da existência dessa deficiência são dores abdominais, intumescimento do abdômen e diarréia. Por outro lado, alguns indivíduos apresentam cansaço relacionado à anemia e não têm sintomas no sistema digestivo.

Hanseníase

É uma doença causada por um micróbio chamado bacilo de Hansen, que ataca normalmente a pele, os olhos e os nervos. Também conhecida como lepra, morféia, mal-de-Lázaro, mal-da-pele ou mal do-sangue.

No Brasil, desde o século XVIII foram construídos dezenas de hospitais e abrigos para os portadores de hanseníase, lugares chamados de "leprosários". Foi só na década de 70 que o isolamento desses pacientes passou a ser desaconselhado e o termo popular (lepra), substituído por "hanseníase" , combatendo assim oficialmente o estigma associado à palavra "leproso".

A hanseníase não é uma doença hereditária. A forma de transmissão é pelas vias aéreas: uma pessoa infectada libera bacilo no ar e cria a possibilidade de contágio. Porém, a infecção dificilmente acontece depois de um simples encontro social. O contato deve ser íntimo e freqüente.

Distúrbios de aprendizagem

O termo "distúrbio de aprendizagem" designa crianças que apresentam dificuldade na aquisição da matéria teórica, embora apresentem inteligência normal e não demonstrem desfavorecimento físico, emocional ou social (Lomonico, 1992). Segundo essa definição, as crianças portadoras de distúrbios de aprendizagem não são incapazes de aprender, pois o distúrbio não é uma deficiência irreversível, mas uma forma de imaturidade que requer atenção e métodos de ensino apropriados. Os distúrbios de aprendizagem não devem ser confundidos com deficiência mental.

Não existe ainda um consenso sobre os critérios para determinar com segurança as causas das dificuldades de aprendizagem. Pode haver comprometimento de um ou mais processos psicológicos envolvidos na compreensão da linguagem falada ou escrita, que pode-se manifestar por uma imperfeição na aptidão de escutar, pensar, ler, soletrar, escrever ou fazer cálculos matemáticos.

Uma criança com dificuldade de aprendizagem vai manifestá-la desde as primeiras etapas do seu desenvolvimento, embora os pais e os pediatras nem sempre reconheçam o problema de imediato. Esse comprometimento não é conseqüência só da falta de oportunidade de aprendizagem, como se pensou por algum tempo, ou de um traumatismo.

Para reconhecer em uma criança a dificuldade de aprendizagem, primeiro é preciso saber quais são os fatores que interferem em seu processo educacional. Existem pelo menos sete fatores para que a aprendizagem seja efetiva:


•saúde física e mental;


•prontidão física e mental;


•maturação;


•inteligência;


•motivação;


•concentração;


•atenção ou memória.

A falta de qualquer desses fatores pode ser a causa de insucessos no processo educacional, sem que necessariamente a criança possua um distúrbio de aprendizagem.

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é a principal situação psiconeurológica que compromete a atenção da criança ou do adolescente com distúrbios de aprendizagem. Quem sofre desse transtorno, apresenta uma desatenção constante, grande hiperatividade e impulsividade emocional.

Popularmente, as pessoas dizem que essa criança "está com a cabeça em outro lugar" pois não se concentra nem ouve o que está sendo dito. Para ela, é difícil atender a uma solicitação ou seguir instruções, pois o distúrbio de aprendizagem está relacionado à dificuldade em persistir em uma tarefa até terminá-la.

Ao desconfiar da existência de uma dificuldade de aprendizagem em um usuário do Telecentro, é importante comunicar os pais e aconselhá-los a procurar um profissional de pedagogia, fonoaudiologia ou psicologia especializado na área.

Autismo

O autismo é um transtorno de desenvolvimento e não propriamente uma deficiência. Não pode ser definido simplesmente como uma forma de retardamento mental, embora muitas pessoas com autismo apresentem QI abaixo da média. Os sintomas do autismo variam muito, dependendo do caso, o que fez com que os especialistas concordassem em usar certos critérios de comportamento para fazer o diagnóstico. Estes critérios foram descritos em trabalhos de referência como o Manual de Diagnóstico e Estatística (DSM-IV) da Associação Americana de Psiquiatria e a Classificação Internacional de Doenças (CID-10) publicado pela Organização Mundial de Saúde.

As pessoas com autismo apresentam problemas na interação social, dificuldade em desenvolver relações de companheirismo apropriadas para sua idade e pouco uso de comportamentos não-verbais, como contato ocular, expressão facial, postura corporal e gestos que facilitam a comunicação.

Outros sintomas, como atraso ou ausência total de desenvolvimento da linguagem oral, sem a ocorrência de tentativas de compensação através de modos alternativos de comunicação, como gestos ou mímicas, podem estar associados ao quadro de autismo. Alguns indivíduos autistas possuem a fala normal, mas, apesar disso, tem pouca habilidade de iniciar ou manter uma conversa com outras pessoas. Isso se deve muitas vezes a seus comportamentos repetitivos e interesse restritos, manifestados como obsessão por um ou mais padrões estereotipados que sejam anormais tanto em intensidade quanto em foco. Os autistas às vezes tem rotinas inflexíveis e hábitos motores repetitivos, por exemplo uma agitação das mãos e dos dedos ou a realização de movimentos pendulares com o corpo.

Fonte: tele-centros.org

Deficiência auditiva

Informações gerais sobre as causas e as limitações decorrentes dessa deficiência
É chamada de deficiência auditiva a perda parcial ou total da possibilidade de ouvir, que varia em graus e níveis. Com base no trabalho de Roeser & Downs, Martinez (2000), pode-se dizer que a audição está normal quando há uma diminuição de até 15dB (decibéis). Nos casos de perda entre 16 e 25 dB, há uma deficiência auditiva suave. A surdez manifesta-se como leve quando a perda varia de 26 a 40 dB, moderada entre 41 e 55 dB, moderadamente severa entre 56 e 70 dB e severa entre 70 e 90 dB.

Quando a perda auditiva é maior, ela impede o indivíduo de ouvir a voz humana e, portanto, de adquirir, espontaneamente, a capacidade de aprender a modalidade oral da língua, mesmo com o uso de prótese auditiva (aparelho). Calcula-se que pelo menos uma em cada mil crianças nasce profundamente surda, o que é diagnosticado através de exames, como a audiometria e o audiograma.

Muitas pessoas desenvolvem problemas auditivos ao longo da vida, devido a acidentes ou doenças. A deficiência auditiva pode ser adquirida quando existe uma predisposição genética (por exemplo, a otosclerose), quando ocorre meningite, ingestão de remédios ototóxicos (que causam danos aos nervos relacionados à audição), exposição a sons impactantes ou viroses. Outra causa da deficiência congênita é a contaminação da gestante através de certas doenças, como rubéola, sarampo, sífilis, citomegalovírus e toxoplasmose, além da ingestão de medicamentos que lesam o nervo auditivo durante a gravidez.

É importante lembrar que estas pessoas muitas vezes não falam porque não ouvem, mas elas podem emitir sons. Muitas aprendem a se comunicar com as pessoas que ouvem através da fala e aprendem a fazer leitura labial, para compreender o que é dito em resposta. Assim, a expressão "surdo-mudo", que é utilizada muito frequentemente, não é correta, pois estas pessoas não são mudas, mas sim surdas.

Orientações para a convivência com pessoas com deficiência auditiva
Como se comunicar melhor

•Quando quiser falar com uma pessoa surda, se ela não estiver prestando atenção em você, acene para ela ou toque em seu braço de forma delicada;


•Perceba como a pessoa surda que está a sua frente se comunica. Algumas fazem a leitura labial, outras só sabem comunicar-se por sinais (língua de sinais) e outras comunicam-se das duas formas. Se ela fizer leitura labial, fale de frente para ela e não cubra sua boca com a mão;


•Quando estiver conversando com uma pessoa surda, fale de maneira clara, pronunciando bem as palavras, mas não exagere na lentidão. Use a sua velocidade normal, a não ser que ela lhe peça para falar mais devagar;


•Fale diretamente com a pessoa, não de lado ou atrás dela. Faça com que a sua boca esteja bem visível. Gesticular ou segurar algo em frente à boca torna impossível a leitura labial. Usar bigode também atrapalha;


•Se você souber alguma linguagem de sinais, tente usá-la. Se a pessoa surda tiver dificuldade em entender, avisará a você. De modo geral, suas tentativas serão apreciadas e estimuladas;


•Para quem não ouve, a expressão facial ajuda a captar sutilezas da comunicação transmitidas pela voz, como o tom irônico de uma frase, por exemplo. Como as pessoas surdas não podem ouvir mudanças sutis de tom de voz que indicam sentimentos de alegria, tristeza, sarcasmo ou seriedade, as expressões faciais, os gestos e o movimento do seu corpo serão boas indicações do que você quer dizer;


•Gritar com o deficiente auditivo é uma atitude ineficaz e, infelizmente, muito comum. Lembre-se que, além de não facilitar a comunicação, essa forma de falar pode ser interpretada pelo surdo como uma ofensa a ele;


•Enquanto estiver conversando, mantenha sempre contato visual, se você desviar o olhar, a pessoa surda pode achar que a conversa terminou;


•Nem sempre a pessoa surda tem uma boa dicção. Se tiver dificuldade para compreender o que ela está dizendo, não se acanhe em pedir para que repita. Geralmente as pessoas surdas não se incomodam de repetir para que sejam entendidas, pois isso demonstra que você está interessado em entendê-la;


•Se for necessário, comunique-se através de bilhetes. O importante é se comunicar, seja qual for o método;


•O surdo, até mesmo o oralizado (ou seja, o que aprendeu a falar), pode não ter um vocabulário extenso. Portanto fale normalmente e, se perceber que ele não entendeu, use um sinônimo. Em vez de "automóvel", fale "carro", por exemplo;


•Quando a pessoa surda estiver acompanhada de um intérprete, dirija-se à pessoa surda, não ao intérprete supondo que ela não possa entendê-lo.

Fonte: tele-centros.org

Deficiência visual

Causas mais freqüentes dessa deficiência e as limitações decorrentes

Pode ser considerada deficiente visual a pessoa que é privada da capacidade de ver, em parte ou totalmente. Segundo a American Foundation for the Blind (http://www.afb.org), é considerada cegueira a acuidade visual de 6/60 ou menos no melhor olho com correção apropriada, e uma restrição do campo visual menor que 20 graus, caracterizando a "visão de túnel" (a fração 6/60 significa que a pessoa precisa de uma distância de seis metros para ver o que normalmente veria a sessenta metros).

Uma pessoa com baixa visão é aquela que possui seu funcionamento visual comprometido, mesmo após tratamento e/ou correção de erros refracionais comuns com o uso de óculos. Ela tem acuidade visual inferior a 10 graus de seu ponto de fixação (20/200 a 20/70 pés no melhor olho após correção máxima) mas, apesar disso, utiliza ou é possivelmente capaz de utilizar a visão para o planejamento e a execução de uma tarefa, se aprender a utilizar este resíduo visual. Até alguns anos atrás, as pessoas com baixa visão eram consideradas cegas e tratadas como tal. Atualmente, os oftalmologistas sabem como ensinar as pessoas a utilizar adequadamente seu potencial, contribuindo para melhorar a sua qualidade de vida.

A perda da visão pode acontecer devido a ferimentos, traumatismos, perfurações ou vazamentos nos olhos. Durante a gestação, doenças como rubéola, toxoplasmose e sífilis, além do uso de substâncias tóxicas, podem causar esta deficiência na criança.

A perda da visão representa uma perda considerável para a pessoa e para os que estão ao seu redor. Porém, isso não significa que a vida acabou. Pessoas com deficiência visual podem ter uma vida feliz e produtiva, graças aos avanços da tecnologia e à crescente conscientização da sociedade.

Infecções em recém-nascidos também podem vir a provocar déficit visuais. Algumas doenças que costumam ocorrer em adultos, como glaucoma, diabetes, catarata, retinopatia e descolamento da retina, se não forem tratadas adequadamente, também propiciam a ocorrência da deficiência.

As causas mais freqüentes da deficiência visual são:


•Retinopatia da prematuridade - causada pela imaturidade da retina, em decorrência de parto prematuro ou de excesso de oxigênio na incubadora;


•Catarata congênita - em conseqüência de rubéola ou de outras infecções durante a gestação;


•Glaucoma - pode ser hereditário ou causado por infecções.

Orientações para a convivência com pessoas com deficiência visual
Como conduzir essas pessoas e se comunicar melhor com elas

•Não é necessário evitar termos como "ver" e "olhar". Mesmo sem ter fisicamente a capacidade de fazer isso, os deficientes visuais podem entender a expressão metaforicamente sem se sentirem ofendidos. Lembre-se que não é natural substituir o verbo "ver" por expressões como "toque", "apalpe", "ouça só !";


•Toque no braço da pessoa com deficiência visual antes de começar a falar para que ela entenda que você está falando com ela. Quando sair, avise para que ela não fique falando sozinha;


•Não se dirija ao portador de deficiência visual através de seu acompanhante, supondo que ele não pode compreendê-lo;


•Em um local estreito, onde só passa uma pessoa, coloque o seu braço para trás, de modo que ele possa continuar a seguir você;


•Algumas pessoas, sem perceber, falam em tom de voz mais alto quando conversam com pessoas cegas. A menos que a pessoa tenha também uma deficiência auditiva que justifique isso, não faz nenhum sentido gritar. Fale em tom de voz normal;


•Por mais tentador que seja acariciar um cão-guia, lembre-se de que esses cães têm a responsabilidade de guiar um dono que não enxerga e nunca devem ser distraídos do seu trabalho;


•Não exclua as pessoas com deficiência visual das atividades comunitárias. Deixe que elas decidam como podem ou se querem participar dos eventos;


•Não se deve modificar o posicionamento dos móveis sem avisar o portador de deficiência visual nem deixar no caminho algo que possa causar acidentes, como uma vassoura ou um balde;


•Se for servir algo para o portador de deficiência visual, dê o copo ou os salgadinhos diretamente em suas mãos, evitando assim que ele precise apalpar toda a bandeja. O copo não deve estar muito cheio de bebida para evitar acidentes;


•Não deixe as portas entreabertas no caminho da pessoa com deficiência visual, conserve-as encostadas à parede ou fechadas;


•É preciso tomar cuidado para não deixar objetos perigosos (como estiletes, tesouras e cinzeiros) sobre a mesa que está sendo utilizada pela pessoa com deficiência visual;


•Quando for caminhar com um deficiente visual, não o puxe pelo braço. A maioria deles prefere segurar o braço ou o ombro do guia. Pergunte qual é sua preferência;


•Quando for ultrapassar portas, coloque o deficiente visual do mesmo lado das dobradiças e abra a maçaneta com o mesmo braço no qual ele está segurando. É interessante passar na frente e depois trazer o portador de deficiência a seu lado. O mesmo procedimento deve ser usado no caso de elevadores;


•Para ajudar uma pessoa portadora de deficiência visual a sentar-se, você deve guiá-la até a cadeira e colocar a mão dela sobre o encosto da cadeira, informando se esta tem braço ou não. Deixe que a pessoa se sente sozinha;


•Ao explicar as direções para uma pessoa com deficiência visual, seja o mais claro e especifico possível. De preferência, indique a distância em metros;


•Quando for subir uma escada, coloque as mãos do deficiente visual no corrimão e informe-o se os degraus estão no sentido ascendente ou descendente. É interessante, depois de percorrer o último degrau a um passo a frente do portador de deficiência, fazer uma pausa para assinalar o fim da escada;


•Quando for atravessar a rua e encontrar um portador de deficiência visual fazendo a mesma coisa, antes de agarrar-lhe o braço, pergunte se ele efetivamente precisa de ajuda. Se sim, procure atravessá-lo em linha reta, já que desse modo ele não ficará desorientado na outra calçada. Não grite de longe para alertá-lo sobre a presença de objetos, a não ser que esses não possam ser detectados pela bengala (como o caso de um toldo colocado a baixa altura, por exemplo).


Fonte: tele-centros.org

Deficiência mental

Definição adotada pela Associação Americana de Deficiência Mental e informações gerais sobre as causas desse tipo de comprometimento
Segundo a definição adotada pela AAMR (American Association of Mental Retardation - Associação Americana de Deficiência Mental), a deficiência mental é um "funcionamento intelectual significativamente abaixo da média, coexistindo com limitações relativas a duas ou mais das seguintes áreas de habilidades adaptativas: comunicação, auto-cuidado, habilidades sociais, participação familiar e comunitária, autonomia, saúde e segurança, funcionalidade acadêmica, de lazer e trabalho. Manifesta-se antes dos dezoito anos de idade."

Apesar dos avanços recentes da medicina, muitas vezes não é possível, ainda, estabelecer com clareza a causa da deficiência mental de uma pessoa, mas três tipos de fatores podem ser apontados:


•pré natais (que incidem desde a concepção do bebê até o início do trabalho de parto)


•perinatais (que agem do início do trabalho de parto até o 30º dia de vida do bebê)


•pós-natais (que atuam do 30º dia de vida do bebê até o final da adolescência)

São exemplos de fatores pré natais a desnutrição materna, a má assistência médica à gestante, a presença de doenças infecciosas como sífilis, rubéola e toxoplasmose na mãe, efeitos colaterais de medicamentos teratogênicos (ou seja, que afetam a estrutura e o desenvolvimento da anatomia do bebê), alterações cromossômicas, como a síndrome de Martin Bell e a síndrome de Down, e as alterações no metabolismo (por exemplo, a fenilcetonúria, a síndrome de Williams e a esclerose tuberosa).

Entre os fatores perinatais da deficiência mental estão os traumas de parto, a oxigenação cerebral insuficiente, a prematuridade e a incompatibilidade sangüínea entre mãe e filho devido à presença do fator RH em apenas um dos dois.

Desnutrição, desidratação grave, carência de estimulação global e infecções como as meningoencefalites e o sarampo estão entre as causas pós natais dessa deficiência. Outros fatores são o envenenamento por produtos químicos com chumbo e mercúrio e a neurocisticircose (quando a larva da taenia solium, popularmente chamada de solitária, aloja-se no cérebro). Contudo, numerosos fatores emocionais, alterações nas atividades nervosas, distúrbios de aprendizagem, alterações específicas de linguagem ou dislexia, psicoses, baixo nível sócio econômico ou cultural, além da carência de estímulos podem explicar a impossibilidade de ajustamento social adequado em uma pessoa sem que haja necessariamente uma deficiência mental.

O portador de deficiência mental não tem alterada a percepção de si mesmo e da realidade e é, portanto, capaz de decidir o que é melhor para ele. Quando a percepção encontra-se alterada, a condição é denominada doença mental, que é um quadro totalmente diferente.

É importante destacar que, em média, 20 a 30% dos deficientes mentais apresentam associação com algum tipo de doença mental, como a síndrome do pânico, a depressão e a esquizofrenia. Essas doenças prejudicam, primariamente, outras áreas do cérebro que não a da inteligência, como, por exemplo, a da capacidade de concentração e a do humor.

Orientações para a convivência com os portadores de deficiência mental
Entenda a diferença entre deficiência e doença mental

•Aja naturalmente ao dirigir-se a uma pessoa com deficiência mental;


•Trate-a com respeito e consideração, de acordo com sua idade. Lembre-se que a pessoa com deficiência mental não é uma "eterna criança";


•Não a ignore. Cumprimente e despeça-se dela normalmente, como faria com qualquer pessoa;


•Dê atenção a ela, converse com calma e vai ver como pode ser agradável;


•Não a superproteja. Deixe que ela faça ou tente fazer sozinha tudo o que puder. Ajude apenas quando for realmente necessário;


•Não subestime sua inteligência. As pessoas com deficiência mental levam mais tempo para aprender, mas podem adquirir muitas habilidades intelectuais e sociais;


•Não se deixe guiar por mitos; cada pessoa é diferente das outras e isso não muda apenas porque alguém é portador de deficiência mental.


Mitos sobre deficiência mental




•Toda pessoa com deficiência mental é doente;


•Pessoas com deficiência mental morrem cedo, devido a problemas de saúde incontornáveis;


•Pessoas com deficiência mental precisam usar remédios controlados;


•Pessoas com deficiência mental são agressivas e perigosas, ou dóceis e cordatas;


•Pessoas com deficiência mental são generalizadamente incompetentes;


•Existe um culpado pela condição da deficiência;


•O meio ambiente pode fazer pouco por pessoas com essa deficiência;


•Pessoas com deficiência mental só estão "bem" com seus "iguais";


•Para o aluno com deficiência mental, a escola é apenas um lugar para exercer alguma ocupação fora de casa.

Fonte: tele-centros.org

Deficiência física

Causas dos diferentes tipos de comprometimento, suas limitações e potencialidades
A deficiência física pode ser definida como uma desvantagem, resultante de um comprometimento que limita ou impede o desempenho motor da pessoa afetada. Isso significa que as partes afetadas são os braços e/ou as pernas.

As causas da deficiência física muitas vezes estão relacionadas a problemas durante a gestação, à prematuridade do bebê ou a dificuldades na hora do nascimento. Também podem ser ocasionadas por lesão medular decorrente de acidentes (mergulho, por exemplo) ou problemas do organismo (derrame, por exemplo).

Conforme a causa da deficiência física, a parte neurológica também pode ser afetada; nestes casos, dizemos que há uma deficiência neuro-motora. Algumas pessoas terão dificuldades de falar, de andar, de ver, de usar as mãos ou outras partes do corpo, ou de controlar seus movimentos.

Certas crianças com deficiência neuro-motora serão capazes de sentar sem suporte ou auxílio, enquanto outras necessitarão de ajuda para a maioria das tarefas da vida diária.

Para que não haja defasagem em seu desenvolvimento, é necessário que, ao ser diagnosticada precocemente a deficiência ou sob a suspeita de qualquer lesão neuro-motora, a criança seja imediatamente atendida por um profissional especializado.

Ao tentar definir qualquer tipo de deficiência, entretanto, é necessário enfocar também as aptidões que esta pessoa possui, ao invés de enfatizar apenas o que ela não pode fazer ou tem dificuldade de fazer sozinha.

Orientações para a convivência com o portador de deficiência física

Como conduzir a cadeira de rodas ou prestar outros tipos de auxílio

•Empurrar uma cadeira de rodas não é como empurrar um carrinho de supermercado, lembre-se que a pessoa com deficiência física deve ser movimentada com cuidado pois pode cair se você fizer uma freada brusca;


•Quando estiver empurrando uma pessoa sentada numa cadeira de rodas e parar para conversar com alguém, vire a cadeira de frente para que a pessoa também possa participar da conversa;


•Para uma pessoa sentada em cadeira de rodas, é incômodo ficar olhando para cima por muito tempo. Portanto, se a conversa for demorar mais do que alguns minutos, sente-se para que você e ela fiquem com os olhos no mesmo nível;


•A cadeira de rodas (assim como as bengalas e as muletas) é parte do espaço corporal da pessoa, quase uma extensão do seu corpo. Lembre-se que apoiar-se nesses equipamentos não é como encostar-se em uma cadeira comum;


•Nunca movimente a cadeira de rodas sem antes pedir permissão para a pessoa que a utiliza;


•Para subir degraus, incline a cadeira para trás, levante as rodinhas da frente e apoie- as sobre o degrau. Para descer um degrau, é mais seguro fazê-lo de marcha a ré, sempre apoiando a cadeira, para que a descida seja sem solavancos. Para subir ou descer mais de um degrau em seqüência, será melhor pedir a ajuda de outra pessoa;


•Se você estiver acompanhando uma pessoa deficiência que anda devagar, com auxílio ou não de aparelhos e bengalas, procure acompanhar o passo dela;


•Mantenha as muletas ou bengalas sempre próximas à pessoa com deficiência;


•Se achar que ela está em dificuldades, ofereça ajuda. Caso seja aceita, pergunte como deve fazê-lo. As pessoas têm suas técnicas pessoais para subir escadas, por exemplo e, às vezes, uma tentativa de ajuda inadequada pode atrapalhar. Pergunte e saberá como agir, mas não se ofenda se a ajuda for recusada;


•Esteja atento para a existência de barreiras arquitetônicas quando for escolher uma casa, restaurante, teatro ou qualquer outro local que queira visitar com uma pessoa com deficiência física;


•Pessoas com paralisia cerebral podem ter dificuldades para andar, podem fazer movimentos involuntários com pernas e braços e podem apresentar expressões estranhas no rosto. Não se intimide com isso. São pessoas como você. Geralmente, têm inteligência normal ou, às vezes, até acima da média;


•Quando apontar algo para uma pessoa em cadeira de rodas lembre-se que uma pessoa sentada tem um ângulo de visão diferente. Se quiser mostrar-lhe qualquer coisa, abaixe-se para que ela efetivamente a veja;


•Não se acanhe em usar palavras como "andar" e "correr". As pessoas com deficiência física empregam naturalmente essas mesmas palavras.

Fonte: tele-centros.org

As deficiências


Estimativas sobre o número de pessoas com deficiência e as conseqüências da exclusão digital para essas pessoas

As estimativas de 1976 da Organização Mundial da Saúde (OMS) calculam que cerca de 10% dos habitantes de países em desenvolvimento em tempos de paz são portadores de deficiência, um índice que, aplicado à população da América Latina e Caribe, aponta para a existência de 420 milhões de pessoas com deficiência, das quais estima-se que cerca de 40% são analfabetas.

Estudos têm apontado que a conjunção de fatores como analfabetismo, pobreza, desnutrição, precárias condições de saneamento básico e más condições de saúde pública ocasionam diversos tipos de deficiência. Estima-se, ainda, que parte considerável destas ocorrências poderia ser evitada, caso as políticas públicas contemplassem devidamente estas questões.

A condição da deficiência desperta reações de discriminação e preconceito, que reforçam a situação de exclusão vivida por estas pessoas. Acreditamos que a informação e a comunicação são armas eficazes para combater tais atitudes, ajudar a promover o respeito à diversidade, assim como prevenir a ocorrência de novos casos de deficiência.

Nem todos os países contam com estatísticas confiáveis e atualizadas sobre o número de pessoas com deficiência em seu território. Em 2000, o Banco Inter-Americano de Desenvolvimento (Inter-American Development Bank) fez uma pesquisa consultando instituições de vinte países da América Latina. Os representantes de cinco deles disseram usar as estimativas da OMS por nunca terem feito um censo que incluísse a temática da deficiência. Os índices encontrados nos outros países variavam de 1,2% na Colômbia a 13,1% no Peru.

O mais recente censo demográfico do Brasil, realizado pelo IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2000, revela que 14,5% da população total, ou seja, 24,5 milhões de brasileiros possuem alguma espécie de incapacidade física, mental ou sensorial (auditiva ou visual).

Essas pessoas e seus familiares também são parte de uma outra estatística crescente, a de excluídos digitais, pessoas que não possuem acesso às tecnologias de informação e comunicação estando, portanto, em posição de desvantagem para buscar informações e vagas em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, para citar apenas algumas situações desfavoráveis.

Sintetizando,

"Para a maioria das pessoas, a tecnologia torna a vida mais fácil; para as pessoas com deficiência, a tecnologia torna a vida possível."
(Norberto Sanches)

Fonte: tele-centros.org

Deficiência múltipla

Definição e informações sobre surdocegueira

As pessoas portadoras de deficiência múltipla são aquelas afetadas em duas ou mais áreas, caracterizando uma associação entre diferentes deficiências, com possibilidades bastante amplas de combinações. Um exemplo seriam as pessoas que têm deficiência mental e física. A múltipla deficiência é uma situação grave e, felizmente, sua presença na população geral é menor, em termos numéricos. Talvez os Telecentros raramente (ou nunca) recebam pessoas com múltipla deficiência, mas consideramos importante trazer informações sobre esta possibilidade.

Tradicionalmente, os profissionais especializados e os familiares de pessoas com múltipla deficiência focalizavam sua atenção no que estas pessoas não podiam fazer, em suas desvantagens e dificuldades. Atualmente temos uma postura diferente: preocupamo-nos em descobrir quais são as possibilidades que a criança apresenta e quais são as suas necessidades, em vez de destacar suas dificuldades. Assim, temos descoberto formas e métodos para atendê-la.

É importante que a família seja orientada a manter um contato com essa criança por meio dos sentidos que não foram lesados, para estimular o resíduo auditivo e, principalmente, o resíduo visual, se houver. Por exemplo: a família do bebê surdocego deve passar informações a ele por meio de toques afetivos; ele deve sentir que é amado e perceber a presença do adulto através de brincadeiras.

As instituições que recebem os casos de múltipla deficiência costumam atender principalmente casos de surdocegueira, que combinam as deficiências auditiva e visual. A pessoa que tem surdocegueira não pode ser comparada com um surdo nem com um cego, pois a pessoa com cegueira e a pessoa surda utilizam seus sentidos de forma complementar: a pessoa com deficiência visual trabalha mais sua audição e a pessoa surda conta mais com sua visão, No caso da surdocegueira, esta complementação não acontece - é uma outra deficiência. É por esta razão que escrevemos esta deficiência com uma só palavra, "surdocegueira".

O grupo mais numeroso de surdocegos é composto por pessoas com 65 anos ou ainda mais idosas, que adquiriram a deficiência sensorial tardiamente. As causas da surdocegueira podem ser:


•acidentes graves;


•síndrome de Usher (as manifestações clínicas desta síndrome de origem genética incluem a surdez, que se manifesta logo no início da vida e a perda visual que ocorre, geralmente, mais tarde);


•surdocegueira congênita, resultante de doenças como a rubéola ou de nascimentos prematuros.

É difícil imaginar como uma pessoa surdocega se comunica, mas isso é possível. Os surdocegos possuem diversas formas para se comunicar com as outras pessoas.

A LIBRAS, Língua Brasileira de Sinais, desenvolvida para a educação dos surdos, pode ser adaptada aos surdocegos, utilizando-se o tato. Colocando a mão sobre a boca e o pescoço de um intérprete, a pessoa com surdocegueira pode sentir a vibração de sua voz e entender o que está sendo dito. Esse método de comunicação é chamado de Tadoma.

Também é possível para o surdocego escrever na mão de seu intérprete, utilizando o alfabeto manual dos surdos, soletrando as palavras ou ele pode redigir suas mensagens em sistema braile, que é um alfabeto composto por pontos em relevo criado para a comunicação dos portadores de deficiência visual.

Existe ainda o alfabeto moon, que substitui as letras por desenhos em relevo e o sistema pictográfico, que usa símbolos e figuras para designar os objetos e ações.

Há casos de crianças surdocegas brasileiras que desenvolvem condições de serem educadas com os surdos, comunicando-se em LIBRAS e usando o braile para o conhecimento da leitura e escrita. Mas, para que isso aconteça é necessário que a intervenção seja precoce, ou seja, quando a criança for bem pequena. Cada surdocego adulto tem o direito de decidir qual vai ser sua forma de comunicação, para que participe das atividades em casa, no trabalho e no lazer.

Carlos Roberto, surdocego que mora no Estado de São Paulo, Brasil, diz: "...descobri outro sentido, com o tato consigo ver o mundo". Ele se desenvolveu tão bem comunicando-se em LIBRAS que está sempre rodeado de amigos, conversando e contando piadas e está aprendendo atualmente o braile.

Orientações para a convivência com os surdocegos

Conheça as melhores formas de se comunicar

•Ao aproximar-se de um surdocego, deixe que ele perceba sua presença com um toque. Combine um sinal para que ele o identifique da próxima vez que se encontrarem;


•Aprenda e use o método de comunicação que ele souber, mesmo que seja elementar, bem simples;


•Tenha a certeza de que o surdocego o está percebendo quando tentar se comunicar. Lembre-se que você não pode se comunicar à distância;


•Encoraje-o a usar a fala se ele conseguir, mesmo que ele saiba apenas algumas palavras;


•Se outras pessoas estiverem presentes, avise-o quando for o momento apropriado para ele falar;


•Avise-o sempre do que o rodeia;


•Informe-o quando sair, mesmo que seja por pouco tempo;


•Assegure-se que ele está confortável e em segurança. Se ele precisar de algo para se apoiar durante a sua ausência, coloque a mão dele no que servirá de apoio. Nunca o deixe sozinho num ambiente que não lhe seja familiar;


•Mantenha-se próximo dele para que ele perceba a sua presença;


•Ao andar deixe-o apoiar-se no seu braço, nunca o empurre ou puxe-o pelo braço;


•Utilize sinais simples para o avisar da presença de escadas, uma porta ou um carro;


•Um surdocego que esteja apoiado no seu braço perceberá qualquer mudança no seu andar;


•Escreva devagar na palma da mão do surdocego, utilizando as letras de forma do alfabeto manual.

Fonte: tele-centros.org