Nova geração de remédios melhora vida de pacientes com Parkinson

Sexta-feira (11) foi o Dia Mundial da Doença de Parkinson, uma enfermidade que segue tão misteriosa, sem causa ou cura conhecidas, desde que foi descoberta, há 191 anos, pelo médico James Parkinson. Apesar disso, uma nova classe de medicamentos está melhorando a vida dos pacientes que convivem com a doença -– controlando os sintomas por mais tempo e de forma mais efetiva.

O mal de Parkinson é uma doença que degenera os neurônios, a segunda mais comum desse tipo, depois do mal de Alzheimer. Ao destruir a produção de dopamina no cérebro, a enfermidade causa tremores, rigidez, dificuldade de movimento e, em casos mais graves, problemas no processamento cognitivo. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, 3% da população com mais de 65 anos possui a doença –- mais de quatro milhões em todo o mundo. Com o aumento da expectativa e das condições de vida em todo o mundo, acredita-se que esse número vá dobrar até 2040.

Até hoje, a causa do mal de Parkinson é desconhecida. Os médicos fazem o diagnóstico baseados nos sintomas e no histórico médico do paciente. Embora alguns exames, como o PET scan, possam ajudar, não há um exame específico capaz de detectar a doença. “Não existe um marcador do mal de Parkinson que os médicos possam olhar e dizer: esta pessoa tem a doença”, explicou ao G1, o neurologista Alexandre Machado, do Departamento dos Distúrbios do Movimento da Academia Brasileira de Neurologia.

Da mesma maneira, o tratamento é feito apenas em cima dos sintomas, porque os médicos não sabem como parar a degeneração de neurônios. Na verdade, a falta de um marcador específico da doença dificulta até mesmo saber se existe algum remédio que reverta a doença em si, e não apenas os sintomas. “Baseamos a avaliação do sucesso da medicação no controle dos sintomas, mas sem um marcador não sabemos se apenas os sintomas estão sendo melhorados ou se o remédio está agindo de fato nas causas, desconhecidas, da doença”, afirma Machado.

A medicação mais usada e mais eficaz contra o mal de Parkinson é a levodopa, utilizada desde os anos 1960. Mas uma nova classe de remédios que chegaram ao mercado nos últimos anos consegue potencializar o efeito da levodopa, explica o médico. “Esses tratamentos controlam melhor os sintomas, por mais tempo”, diz ele.

Em casos específicos, é possível também fazer uma cirurgia, mas que, como os remédios, também apenas controla os sintomas da doença. Durante o procedimento, o cirurgião faz uma lesão em uma área do cérebro. Por motivos desconhecidos, a técnica reverte um pouco o quadro sintomático, mas não impede a progressão da degeneração.

Fonte G1.COM

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