sexta-feira, 27 de junho de 2008


Manuela 50 Anos

Maria Manuela Alves da Cunha, 50 anos, portuguesa que vive no Brasil desde os 18, tem tetraparesia espástica (tensão muscular acentuada dos membros inferiores e superiores). Uma bactéria corroeu a mielina, que é responsável pela transmissão dos impulsos elétricos do cérebro para o corpo. "Caminho com andador, mas não perdi a sensibilidade dos membros. Apenas não tenho firmeza. Preciso travar os joelhos para andar, e me apoiar. Os movimentos que dependem de coordenação motora fina ficaram prejudicados, mas mantenho a força dos braços com ajuda de fisioterapia", conta.

Uma série de complicações de saúde depois disso e diagnósticos desencontrados a deixaram fragilizada a ponto de querer voltar para casa. Lá, foi diagnosticada como tendo doença de Addison - insuficiência adrenal aguda de base auto-imune que reduz os níveis de cortisol, o hormônio responsável por regular o organismo após situações de estresse. "Quando voltei ao Brasil, assumi um compromisso comigo: comecei a investir, a sonhar e encarar a deficiência de frente. Até então, menosprezava minha condição. Comecei a dirigir um carro adaptado, o que tem influído em meu processo de melhora. Reconquistei minha autonomia e isso me animou. Retomei minha rotina. Em compensação, meu casamento, que já não andava bem, ruiu. Meu ex-marido não lidou bem com minha autonomia. Estive casada por 22 anos. Estou separada há quatro. A decisão foi mais ou menos conjunta, porém partiu de mim. Descobri que ele me traía." Apesar do medo de ficar sozinha, ela conta ter bancado a decisão. Aos poucos, descobriu que estar só contribuiu para seu crescimento pessoal.

"Voltei a sonhar, a cuidar de mim. Resolvi até fazer uma faculdade. Hoje, curso o primeiro semestre de biblioteconomia na UNIFAI (Centro Universitário Assunção), em São Paulo. É um outro desafio em que estou me saindo muito bem. A relação com os colegas é muito boa."

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