Libras e Educação do Surdo

Libras e Educação do Surdo (Karin Lilian Strobel - Dezembro/2000)


Quando um bebê nasce surdo, ele desenvolve inicialmente as mesmas fases de linguagem que o bebê ouvinte: grito de satisfação, choro de dor e fome, emite sons sem significados até mais ou menos 6 meses de idade e quando chega à fase de balbucio é que começa a ser diferenciado um do outro. Porque o bebê ouvinte, podendo ouvir os sons do ambiente ao redor de si tenta se comunicar emitindo sons, enquanto o bebê surdo, com a barreira causada pela surdez, não ouve sons do ambiente e por isto as primeiras "palavras" não surgem e consequentemente disso fica com a aquisição de linguagem atrasada e limitada por falta de continuidade e acesso aos conhecimentos e informações externas.

Sabendo que a criança surda é inteligente e que o desenvolvimento da linguagem não depende da audição, o que faltou foi a oportunidade de "comunicar-se" de forma adequada. É possível a aquisição de linguagem da criança surda seguir em trajetória a de criança ouvinte, contanto que a criança surda tenha acesso com a Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS, o mais precoce possível; assim a criança surda poderia sentir como as outras crianças, fazer perguntas e obter respostas de pais, de professores e de outras pessoas, ou seja, a curiosidade da criança surda será satisfeita muitas vezes.

Pelas pesquisas já feitas nos Estados Unidos e na Europa, comprovaram que as crianças surdas de pais surdos se saem melhor na oralização e na escrita que as outras crianças surdas de pais ouvintes pois as mesmas não apresentam os problemas da defasagem de linguagem porque os pais surdos já estão se "comunicando" com os filhos esclarecendo todas as suas curiosidades naturais.

Isto não quer dizer que estamos negando à criança surda o direito de se integrar a sociedade ouvinte, pelo contrário, usando LIBRAS como primeira língua desde cedo ela assimila o conteúdo desenvolvendo-se cognitivamente e emocionalmente, o que facilitará a aprendizagem da segunda língua, o português - que poderá ser através da escrita e leitura ou da fala e leitura labial - e terá força e auto-confiança, a base mais sólida para se integrar à sociedade em condições de igualdade sem complexo de inferioridade.

Mas antes de tudo, devemos aceitar a LIBRAS como a primeira língua dos surdos. Se o francês é uma língua que é usados pelos franceses, o português é uma língua que é usada pelos brasileiros e portugueses. Então, porque não permitir os surdos usarem a própria língua, que é LIBRAS?

Fonte: Nucleo de apoio a pessoa com deficiência

Um comentário:

Minéia disse...

Boa tarde! Pesquisando no google sobre como poderia fazer o curso de LIBRAS, encontrei esse endereço. Parabens! Gostaria de saber se vocês ministram o curso? pois gostaria muito de fazer, moro no bairro laranjeiras e trabalho em CFC, e sempre tive vontade de fazer esse curso. Abraços
Contato: mineiaseg@hotmail.com