Outras dificuldades, distúrbios e síndromes

Orientações sobre diabetes, hemofilia, Alzheimer, talassemia, hanseníase, doença celíaca, autismo, distúrbios de comunicação e dificuldades de aprendizagem

Esta seção traz informações sobre as causas e os sintomas das doenças crônicas mais freqüentes, além da descrição de alguns distúrbios de comunicação e outras dificuldades de aprendizagem. É importante lembrar que estas doenças não são deficiências, embora muitas vezes as pessoas façam confusão entre elas. Incluímos as explicações sobre estas doenças porque estas perguntas podem surgir e queremos que os monitores dos Telecentros saibam o que responder e onde procurar informações mais detalhadas. É necessário procurar saber a causa destes problemas, buscando diagnósticos de médicos e de profissionais especializados, como psicólogos e fonoaudiólogos.

Diabetes

É uma doença causada por uma disfunção do pâncreas, que deixa de produzir insulina (o hormônio que controla a entrada de glicose nas células e seu nível no sangue) ou a produz em menor volume que o necessário. Estima-se que 7,6% da população mundial tenha diabete. Nos grandes centros, esse índice pode chegar a 9,6%. Há vários tipos de diabete, os mais comuns são do tipo 1 e 2.

O diabetes tipo 1 é uma doença caracterizada pela destruição das células secretoras de insulina, na maioria dos casos, se desenvolve na infância ou adolescência. No segundo tipo, a insulina é produzida em nível mais baixo que o necessário. Os pacientes de ambos os grupos são dependentes do uso terapêutico da insulina.

No diabete tipo 2, os sintomas podem ser imperceptíveis por até sete anos. A doença costuma ser diagnosticada já no estágio avançado e seus sintomas são sede excessiva, aumento da freqüência e da quantidade de urina, infecções urinárias e de pele, emagrecimento e problemas com a visão. Os sintomas do diabete tipo 1 são os mesmos da tipo 2, mas aparecem de forma mais repentina.

Hemofilia

Este termo designa um grupo de doenças, de origem hereditária, que dificultam a coagulação do sangue. Por serem problemas ligados ao cromossomo Y, afetam apenas as pessoas do sexo masculino.

Alzheimer

A doença de Alzheimer é uma síndrome de causa desconhecida e incurável. Contudo, nos últimos anos a medicina tem feito esforços para evitar que se produzam as primeiras lesões cerebrais da doença, que têm início em torno dos 40 anos. Alzheimer é o sobrenome do médico alemão, Alois Alzheimer (1864-1915) que, em 1906, ao fazer uma autópsia, descobriu no cérebro do morto lesões que ninguém havia visto antes. Tratava-se de um problema dentro dos neurônios, que apareciam atrofiados em vários lugares do cérebro e cheios de placas estranhas e fibras retorcidas, enroscadas umas nas outras. Desde então, esse tipo de degeneração nos neurônios ficou conhecido como placas senis, característica fundamental da doença de Alzheimer.

No início, a pessoa com doença de Alzheimer mostra apenas uma leve perda de memória, que interfere no pensamento. Depois, tem dificuldade de fazer contas ou desenvolver raciocínios simples, por exemplo.
Posteriormente, pode surgir uma fase onde a pessoa tem sintomas de desorientação, dificuldades para tomar decisões ou mesmo para conversar. Apesar de ser uma doença que afeta predominantemente pessoas idosas, ela deve ser objeto de atenção geral, pois a expectativa de vida da população da maioria dos países está aumentando.

Talassemia

É o nome que se dá a uma doença caracterizada por baixo número de glóbulos vermelhos no sangue. A palavra talassemia deriva de uma combinação das palavras gregas, talassa = mar e hemes =sangue. Com este termo os médicos descreviam uma doença do sangue cuja origem está nos países banhados pelo mar, mais precisamente o Mediterrâneo, tanto é que também é chamada de "anemia do Mediterrâneo".

Geralmente as pessoas portadoras de talassemia se tornam muito anêmicas e pálidas, não crescendo até a estatura que atingiriam se fossem saudáveis. Outro sinal freqüente é a existência de um aumento no baço, problema diagnosticado durante os exames médicos. A talassemia é uma característica do sangue transmitida de pais para filhos.

Distúrbios de comunicação

Existem diversos tipos de dificuldades agrupadas sob a categoria de "distúrbios de comunicação". Alguns exemplos são os distúrbios de articulação, de voz, de linguagem, a fissura labiopalatal e a gagueira.

Estas dificuldades estão apenas na fala, na emissão de som, não atingindo a capacidade intelectual das pessoas. É importante saber disso para tratar estas pessoas de forma natural e saber o que esperar durante a realização das tarefas no computador.

Fissura labiopalatal

É uma abertura na região do lábio ou palato, ocasionada pelo não fechamento dessas estruturas, que ocorre entre a quarta e a décima semana de gestação. As fissuras podem ser unilaterais ou bilaterais e variam desde formas mais leves, até formas mais graves. No Brasil, a cada 650 crianças uma tem essa malformação labiopalatal, chamada popularmente de "lábio leporino".

A causa é multifatorial, podendo combinar fatores genéticos e ambientais. Dentre os fatores ambientais estão o uso do álcool ou de cigarros, a realização de raio X na região abdominal ou a ingestão de medicamentos com anticonvulsivantes ou corticóides durante o primeiro trimestre da gravidez.

Dislalia

A dislalia uma perturbação da fala caracterizada por hesitação repetitiva, demora na emissão das palavras ou prolongamento anormal dos sons. Começa geralmente na infância, em 90% dos casos antes dos 8 anos.

Ecolalia

A ecolalia é a repetição da última palavra, som ou frase ouvida. É considerada um distúrbio de comunicação semelhante à gagueira.

Afasia

A afasia é um comprometimento verbal que implica em distúrbios de vocabulário ou de problemas quanto a compreensão de linguagem. Pode estar acompanhada de disgrafia.

Doença celíaca

A doença celíaca consiste na incapacidade de digerir glúten, um componente natural de quase todos os cereais (aveia, centeio, trigo, cevada, etc), exceto o milho e o arroz. Essa doença desencadeia uma reação inflamatória no intestino delgado, que resulta em diminuição da área disponível para absorção de nutrientes, líquidos e eletrólitos.

Os sinais mais comuns da existência dessa deficiência são dores abdominais, intumescimento do abdômen e diarréia. Por outro lado, alguns indivíduos apresentam cansaço relacionado à anemia e não têm sintomas no sistema digestivo.

Hanseníase

É uma doença causada por um micróbio chamado bacilo de Hansen, que ataca normalmente a pele, os olhos e os nervos. Também conhecida como lepra, morféia, mal-de-Lázaro, mal-da-pele ou mal do-sangue.

No Brasil, desde o século XVIII foram construídos dezenas de hospitais e abrigos para os portadores de hanseníase, lugares chamados de "leprosários". Foi só na década de 70 que o isolamento desses pacientes passou a ser desaconselhado e o termo popular (lepra), substituído por "hanseníase" , combatendo assim oficialmente o estigma associado à palavra "leproso".

A hanseníase não é uma doença hereditária. A forma de transmissão é pelas vias aéreas: uma pessoa infectada libera bacilo no ar e cria a possibilidade de contágio. Porém, a infecção dificilmente acontece depois de um simples encontro social. O contato deve ser íntimo e freqüente.

Distúrbios de aprendizagem

O termo "distúrbio de aprendizagem" designa crianças que apresentam dificuldade na aquisição da matéria teórica, embora apresentem inteligência normal e não demonstrem desfavorecimento físico, emocional ou social (Lomonico, 1992). Segundo essa definição, as crianças portadoras de distúrbios de aprendizagem não são incapazes de aprender, pois o distúrbio não é uma deficiência irreversível, mas uma forma de imaturidade que requer atenção e métodos de ensino apropriados. Os distúrbios de aprendizagem não devem ser confundidos com deficiência mental.

Não existe ainda um consenso sobre os critérios para determinar com segurança as causas das dificuldades de aprendizagem. Pode haver comprometimento de um ou mais processos psicológicos envolvidos na compreensão da linguagem falada ou escrita, que pode-se manifestar por uma imperfeição na aptidão de escutar, pensar, ler, soletrar, escrever ou fazer cálculos matemáticos.

Uma criança com dificuldade de aprendizagem vai manifestá-la desde as primeiras etapas do seu desenvolvimento, embora os pais e os pediatras nem sempre reconheçam o problema de imediato. Esse comprometimento não é conseqüência só da falta de oportunidade de aprendizagem, como se pensou por algum tempo, ou de um traumatismo.

Para reconhecer em uma criança a dificuldade de aprendizagem, primeiro é preciso saber quais são os fatores que interferem em seu processo educacional. Existem pelo menos sete fatores para que a aprendizagem seja efetiva:


•saúde física e mental;


•prontidão física e mental;


•maturação;


•inteligência;


•motivação;


•concentração;


•atenção ou memória.

A falta de qualquer desses fatores pode ser a causa de insucessos no processo educacional, sem que necessariamente a criança possua um distúrbio de aprendizagem.

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é a principal situação psiconeurológica que compromete a atenção da criança ou do adolescente com distúrbios de aprendizagem. Quem sofre desse transtorno, apresenta uma desatenção constante, grande hiperatividade e impulsividade emocional.

Popularmente, as pessoas dizem que essa criança "está com a cabeça em outro lugar" pois não se concentra nem ouve o que está sendo dito. Para ela, é difícil atender a uma solicitação ou seguir instruções, pois o distúrbio de aprendizagem está relacionado à dificuldade em persistir em uma tarefa até terminá-la.

Ao desconfiar da existência de uma dificuldade de aprendizagem em um usuário do Telecentro, é importante comunicar os pais e aconselhá-los a procurar um profissional de pedagogia, fonoaudiologia ou psicologia especializado na área.

Autismo

O autismo é um transtorno de desenvolvimento e não propriamente uma deficiência. Não pode ser definido simplesmente como uma forma de retardamento mental, embora muitas pessoas com autismo apresentem QI abaixo da média. Os sintomas do autismo variam muito, dependendo do caso, o que fez com que os especialistas concordassem em usar certos critérios de comportamento para fazer o diagnóstico. Estes critérios foram descritos em trabalhos de referência como o Manual de Diagnóstico e Estatística (DSM-IV) da Associação Americana de Psiquiatria e a Classificação Internacional de Doenças (CID-10) publicado pela Organização Mundial de Saúde.

As pessoas com autismo apresentam problemas na interação social, dificuldade em desenvolver relações de companheirismo apropriadas para sua idade e pouco uso de comportamentos não-verbais, como contato ocular, expressão facial, postura corporal e gestos que facilitam a comunicação.

Outros sintomas, como atraso ou ausência total de desenvolvimento da linguagem oral, sem a ocorrência de tentativas de compensação através de modos alternativos de comunicação, como gestos ou mímicas, podem estar associados ao quadro de autismo. Alguns indivíduos autistas possuem a fala normal, mas, apesar disso, tem pouca habilidade de iniciar ou manter uma conversa com outras pessoas. Isso se deve muitas vezes a seus comportamentos repetitivos e interesse restritos, manifestados como obsessão por um ou mais padrões estereotipados que sejam anormais tanto em intensidade quanto em foco. Os autistas às vezes tem rotinas inflexíveis e hábitos motores repetitivos, por exemplo uma agitação das mãos e dos dedos ou a realização de movimentos pendulares com o corpo.

Fonte: tele-centros.org

2 comentários:

yasmim souza do carmo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
yasmim souza do carmo disse...

Boa noite!
Estou fazendo um seminario para faculdade sobre a doença Alzheimer, se puderem entrar em contato comigo para me ajudar seria de grande agradecimento. Obrigada.